Luiz Machado
Sistemas de produção em cunicultura
Para o sucesso da cunicultura, é fundamental que se discutam e proponham sistemas que associem elevada produtividade, economia, bem estar dos animais às condições de trabalho de cada produtor. Essa atividade pode ser realizada em escalas diversas, variando da subsistência à produção em grande escala nos galpões. A qualidade da nutrição pode variar, sendo mais exigente em sistemas de alta produtividade. Em sistemas alternativos e de subsistência, a nutrição poderá ser mais simplificada, com uso de suplementação volumosa alternativa. O mesmo acontece com a reprodução, que é intensificada a partir da tecnificação do sistema produtivo. A escolha da raça/linhagem a ser criada depende das condições de criação, buscando a adequação da produtividade em função da rusticidade exigida para o sistema. Em relação às instalações, devem ser considerados aspectos de densidade animal, tipo de gaiola, comedouros, bebedouros, ninho entre outros. Existem diversos sistemas de produção em cunicultura, adaptáveis as escalas produtivas, desde criações de subsistência a grandes granjas comerciais, podendo ser citados os sistemas industriais em galpões, onde se utilizam materiais e instalações industriais e sistemas de criações alternativos, onde são adaptados materiais e instalações para redução dos custos da atividade, tais como baias coletivas, gaiolas ou viveiros ao ar livre, módulos do tipo cabana, animais soltos em piquetes além de sistemas para criação de coelhos PET. Assim, é possível a criação de coelhos em variados sistemas produtivos, adaptados a cada realidade. O cunicultor, juntamente com o auxílio de um técnico, deverá escolher o melhor sistema conforme suas pretensões e possibilidades, bem como a atenção ao clima da região e capital para investimento.
Opinião: Organização e estratégias da cunicultura brasileira – buscando soluções
O Brasil é um emergente com grande potencial para a atividade de cunicultura. Contudo, a história desta atividade sempre foi marcada por autos e baixos. A população brasileira de coelhos vem caindo ao longo dos últimos anos embora se perceba que a quantidade de coelhos de estimação vem aumentando consideravelmente. Não é possível a estimativa segura da quantidade de carne produzida, pois a maior parte é realizada sobre condições informais. Sabe-se que a demanda por carne é maior que a oferta. A criação de coelhos de estimação cresceu muito nos últimos anos e despertou o interesse de novos criadores. Há um grande mercado a ser explorado no que diz respeito a itens e serviços para coelhos de companhia. Há uma grande quantidade de instituições que fazem pesquisa e ensino em cunicultura embora se perceba que vários pesquisadores renomados estão se aposentando, não havendo renovação. Há mais de 40 fabricantes de ração e poucos formulam alimentos de boa qualidade, sendo a ração comercializada a preços elevados. Muitos são os problemas que afetam os cunicultores brasileiros, merecendo destaque a falta de políticas públicas específicas de fomento à atividade, trabalho dos cunicultores de forma isolada sem organização, necessidade de melhoria do material genético disponível, falta de abatedouros e inexistência do processamento da carne, falta de especialistas em cunicultura, falta de materiais e equipamentos de boa qualidade, falta de informação da população em relação às qualidades nutricionais da carne de coelho e o elevado preço da carne ao consumidor final. Além disso, a legislação brasileira é extremamente rigorosa para montagem de abatedouros. São ações implementadas pela Associação Científica Brasileira de Cunicultura a criação de grupos de discussão visando melhoria do diálogo, criação de nova página na internet para divulgação de atividades e informações técnicas, organização e distribuição de um CD de publicações, elaboração de materiais didáticos como manual de formulação de ração e suplementos, manual prático de cunicultura e notas técnicas, realização de eventos tais como mini-cursos de cunicultura, dia do cunicultor, seminários nacionais de ciência e tecnologia em cunicultura, criação de uma revista nacional, atendimento a cunicultores e interessados de todo país, estímulo à formação de cooperativas e associações de cunicultores e instituição de prêmio para profissional em destaque. Além dessas ações, são previstas ainda a implementação de cursos de formação inicial e continuada em cunicultura, a divulgação desta atividade, destacando seus benefícios para a sociedade e a criação de um canal de vídeos explicativos na internet. Nos últimos dois anos, se percebeu elevação na procura de animais por parte dos abatedouros. A organização dos cunicultores deve ser priorizada para que haja maior diálogo. Existe no mercado falta de um órgão que gerencie as compras e vendas de animais.
Métodos de digestibilidade in vitro na avaliação dos alimentos para coelhos
Os ensaios de determinação da digestibilidade in vitro são mais rápidos, práticos e econômicos quando comparados aos ensaios in vivo. Este estudo objetivou identificar e avaliar diferentes técnicas de determinação in vitro para coelhos, determinando a degradabilidade, digestibilidade, produção de gases e cinética de fermentação. Foram utilizados sete grupos de coelhos doadores, compostos cada um por três animais de 75 dias de idade, que recebiam sete diferentes dietas experimentais divididas em tradicional, simplificada e semi-simplificadas. A avaliação dos métodos de digestibilidade in vitro foi realizada através de dois métodos. O primeiro consistiu do método in vitro de produção de gases onde cada grupo forneceu material para uma repetição de todas as dietas experimentais avaliadas (tratamentos), sendo consideradas 49 unidades experimentais. Foi medida a pressão em intervalos previamente definidos e através de equação matemática se determinou o Volume de Gases Produzido (VGP). Foram determinadas também a correlação entre a digestibilidade in vivo e a degradabilidade in vitro bem como entre a digestibilidade in vivo e o VGP. O segundo método in vitro consistiu do tradicional de duas etapas, modificado de tal forma que foram utilizadas quatro diferentes técnicas, sendo modificados o tempo da primeira fase (12 ou 24h) e o meio para execução da segunda fase (digestão ácida com pepsina ou digestão com o detergente neutro). Como inóculo, foi utilizada mistura de material colhido a partir do ceco de coelhos de 75 dias de idade. Foram avaliadas sete dietas experimentais sendo uma tradicional, uma simplificada e cinco semi-simplificadas. Para obtenção dos valores base foi realizado experimento in vivo, antes da determinação in vitro. Ao estudo da modificação do tradicional método de duas etapas, foram feitas somente comparações descritivas e regressão simples. Foram observadas diferenças significativas entre a degradabilidade da matéria seca e degradabilidade da matéria orgânica, bem como para o volume de gases produzidos. A dieta referência apresentou os maiores valores de degradabilidade in vitro bem como de VGP. As equações de regressão linear encontradas apresentaram elevado coeficiente de determinação, indicando a possibilidade de utilização da técnica de produção de gases. Em relação às modificações propostas ao método de digestibilidade in vitro proposto por Tilley e Terry, dentre as metodologias testadas, a de 12 h de fermentação, com posterior digestão ácida com pepsina, apresentou maior similaridade com os valores in vivo. A partir da regressão linear, foi verificada alta correlação entre os dados de digestibilidade in vivo e de digestibilidade in vitro obtidos em todas as metodologias. Os métodos de digestibilidade in vitro se mostraram eficientes na avaliação dos alimentos para coelhos.
Efeito da suplementação de nim desidratado sobre o ganho de peso diário e produção de esterco para coelhos em crescimento
Objetivou-se neste estudo avaliar a eficácia da administração do Nim indiano associado à alimentação de coelhos pós desmame, avaliando o ganho de peso médio diário e aferindo a produção de esterco, uma vez que não se encontram informações científicas das ações do Nim para esta espécie. Foram utilizados 24 coelhos mestiços desmamados com 30 dias de idade, distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e seis repetições, os quais foram constituídos por ração sem Nim (Nim 0g), ração com 3g de Nim desidratado (Nim 3g), ração com 6g de Nim desidratado (Nim 6g) e ração com 9g de Nim desidratado (Nim 9g). Os coelhos e a ração foram pesados para obtenção do ganho médio diário de peso, e as fezes foram quantificadas diariamente, utilizando-se sombrite sob as gaiolas, para posteriormente, serem analisadas quanto à sua composição bromatológica. Não houve diferença entre os tratamentos avaliados quanto ao ganho médio diário. A análise do esterco revelou grande riqueza de minerais. A inclusão de doses crescentes da folha de Nim desidratado não influenciam o ganho médio diário de peso dos coelhos em crescimento. Novos trabalhos considerando maior número de animais bem como avaliando outros parâmetros produtivos devem ser realizados para melhor elucidação dos dados.
Enriquecimento ambiental na gestação de coelhas
Pesquisas envolvendo enriquecimento ambiental crescem a fim de auxiliar o bem-estar de animais confinados. Dessa forma, a proposta deste trabalho foi avaliar o uso de diferentes espécies de madeiras como enriquecimento ambiental durante a gestação de coelhas e no desenvolvimento dos láparos. Os tratamentos envolveram 49 fêmeas distribuídas como: 1- Cedro rosa (Cedrela fissilis); 2- Peroba do norte (Goupia glabra); 3- Jatobá (Hymenaea courbaril); 4- Imbuia (Ocotea porosa) e 5- grupo controle. Não houve diferenças significativas (p > 0,05) para peso das matrizes pós-parto, peso dos láparos ao nascer, peso dos coelhos ao desmame, número de láparos nascidos e número de coelhos desmamados, quantidade de pelo retirado, parto dentro ou fora do ninho, mortalidade, duração da gestação e quantidade de madeira roída. Os pesos das matrizes ao desmame diferiu, sendo maior no tratamento com jatobá diferindo do cedro (p > 0,05). A utilização desses tipos de madeiras não resultou em impactos negativos no desempenho das coelhas ou dos láparos, indicando que seu uso como enriquecimento ambiental não afeta os aspectos produtivos das fêmeas e láparos.
Opinião: A cunicultura Pet no Brasil
Diagnóstico da produção e comércio cunícula no Estado de Santa Catarina
Este trabalho tem por objetivo principal apresentar um panorama da atividade cunícula em Santa Catarina. O estudo buscou diagnosticar o setor de produção e mercado consumidor da carne de coelho no Estado. A partir de uma revisão bibliográfica sobre o tema. Aplicaram-se entrevistas a campo com os produtores, comerciantes e representante de associação do setor. Os resultados evidenciam que há diversidade nos sistemas de produção em efeito da região geográfica abordada, finalidade da produção e características culturais. Em consequência identificou-se que as potencialidades e limitações da atividade são diversificadas a níveis regionais. Apontou-se que o consumidor reconhece a carne de coelho como um produto saudável, mas, o consumo ainda é inexpressivo, se comparada à demanda por outras carnes consumidas no Estado. Identificou-se também a falta de encadeamento entre os elos da cadeia de produção cunícula, o que demonstra a necessidade de articular os segmentos, para que se criem estratégias em rede, fomentando assim, um sistema de produção competitivo para o agronegócio cunícula catarinense.
Effect of dietary inclusion of purslane on performance and content of fatty acids in meat of growing rabbits
This research was carried out in order to assess the effect of including Purslane (Portulaca oleracea) on the performance of growing rabbits and meat´s fatty acids profile. Twenty Californian rabbits (1.28 ± 0.081 kg LW) were used in a completely randomized design for 49 days. The treatments were: control diet (with no purslane) and diet with purslane. Rabbit weight gain, feed conversion ratio, carcass yield and the fatty acid profile of the carcass meat were measured (palmitic, stearic, oleic, linoleic and α-linolenic acids). As results higher dry matter intake (p<0.001) was obtained with the control diet (4.49 vs. 3.47 Kg, respectively), promoting a higher estimated total digestible energy (DE) intake in control diet (p<0.001) (58.48 vs 48.67 MJ, respectively), however weight gain, feed conversion ratio and carcass yield were similar for rabbits fed both diets (p>0.05) (0.89 vs. 0.78 kg). In spite fatty acids intake was similar for both diets (p>0.05) (618.62 vs. 598.06 mg/ Kg DM) except for stearic acid content of meat which was higher (p<0.05) in diet with purslane. Purslane (Portulaca oleracea) can be fed to rabbits up to 30% of diet promoting acceptable growth rates, feed conversion ratio and carcass yield for tropical conditions. Purslane inclusion in rabbit diets had little effect on fatty acid profile; However further research with purslane should explore interactions among higher levels of inclusion and longer feeding periods.
Pesquisas de preferência, divulgação da atividade de cunicultura e mercado pet cunícula brasileiro
Poucas são as iniciativas para melhor compreender o mercado cunícula brasileiro bem como para a divulgação da cunicultura. Trabalhos dessa natureza são fundamentais para melhor compreensão e crescimento desta estratégica atividade produtiva. Este trabalho objetiva apresentar informações sobre como as pessoas enxergam a cunicultura e quais são suas preferências, identificar onde estão os cunicultores que criam animais para estimação (cunicultores pet) no Brasil e registrar a metodologia utilizada para divulgação da cunicultura em território nacional. Considerando-se que os cunicultores pet mantém informações na internet, foi feita ampla pesquisa nesta fonte para identificação de sua localização. Para a campanha de divulgação foram feitos 60.000 folhetos onde parte foi enviado a vários voluntários para distribuição geral às pessoas, sendo esse material também distribuído digitalmente. Para a pesquisa de preferência e opinião, 1123 questionários foram utilizados em 7 diferentes estados brasileiros e no distrito federal. A região Sudeste atualmente detém a maior parte dos cunicultores pet, ganhando destaque o estado de São Paulo, que concentra mais de 1/3 dos mesmos. A produção de animais pet está presente em praticamente todos os estados brasileiros, principalmente no entorno das grandes cidades. Já em relação à pesquisa de opinião e preferência, a maior parte dos entrevistados desconhece a atividade de cunicultura, o que sugere a necessidade de maior divulgação. Dentre os que conhecem a atividade, a maioria acredita que o coelho é um animal passível de ser usado para produção de carne e pet. Quase a metade das pessoas entrevistadas acreditava que o coelho era um animal para ser utilizado como pet embora 1/5 desse público afirmou que ainda sim comeria carne de coelho. O mesmo se passou com as pessoas que afirmaram que o coelho poderia ser utilizado para produção de carne, onde 1/3 das pessoas teriam um coelho pet como animal de estimação. Mais de 90% das pessoas associou o coelho a uma possível atividade produtiva e quase 1/3 dos entrevistados já comeu carne de coelho alguma vez na vida, sendo que esse percentual é tanto mais alto quanto for a idade das pessoas.
Ingredientes não convencionais na nutrição cunícula no Brasil
Na alimentação animal a maior parte dos ingredientes utilizados para compor as dietas balanceadas são cultivados para esta finalidade, consequentemente aumentando o custo do produto final. O objetivo desta revisão é elucidar quais os ingredientes não convencionais disponíveis em território brasileiro com potencial uso para a nutrição cunícola vem sendo utilizados na última década. Percebeu-se que os principais ingredientes alternativos utilizados foram as cascas, tortas, farelos, bagaços e polpas. Neste sentido, a utilização destes produtos secundários proporcionam maior sustentabilidade na produção cunícula, reduzem os custos e ainda reduzem os passivos vegetais abundantes no Brasil.
