Volume 6, n. 1, 2014
Para o sucesso da cunicultura, é fundamental que se discutam e proponham sistemas que associem elevada produtividade, economia, bem estar dos animais às condições de trabalho de cada produtor. Essa atividade pode ser realizada em escalas diversas, variando da subsistência à produção em grande escala nos galpões. A qualidade da nutrição pode variar, sendo mais exigente em sistemas de alta produtividade. Em sistemas alternativos e de subsistência, a nutrição poderá ser mais simplificada, com uso de suplementação volumosa alternativa. O mesmo acontece com a reprodução, que é intensificada a partir da tecnificação do sistema produtivo. A escolha da raça/linhagem a ser criada depende das condições de criação, buscando a adequação da produtividade em função da rusticidade exigida para o sistema. Em relação às instalações, devem ser considerados aspectos de densidade animal, tipo de gaiola, comedouros, bebedouros, ninho entre outros. Existem diversos sistemas de produção em cunicultura, adaptáveis as escalas produtivas, desde criações de subsistência a grandes granjas comerciais, podendo ser citados os sistemas industriais em galpões, onde se utilizam materiais e instalações industriais e sistemas de criações alternativos, onde são adaptados materiais e instalações para redução dos custos da atividade, tais como baias coletivas, gaiolas ou viveiros ao ar livre, módulos do tipo cabana, animais soltos em piquetes além de sistemas para criação de coelhos PET. Assim, é possível a criação de coelhos em variados sistemas produtivos, adaptados a cada realidade. O cunicultor, juntamente com o auxílio de um técnico, deverá escolher o melhor sistema conforme suas pretensões e possibilidades, bem como a atenção ao clima da região e capital para investimento.
Opinião: Organização e estratégias da cunicultura brasileira – buscando soluções
Escrito por Luiz MachadoO Brasil é um emergente com grande potencial para a atividade de cunicultura. Contudo, a história desta atividade sempre foi marcada por autos e baixos. A população brasileira de coelhos vem caindo ao longo dos últimos anos embora se perceba que a quantidade de coelhos de estimação vem aumentando consideravelmente. Não é possível a estimativa segura da quantidade de carne produzida, pois a maior parte é realizada sobre condições informais. Sabe-se que a demanda por carne é maior que a oferta. A criação de coelhos de estimação cresceu muito nos últimos anos e despertou o interesse de novos criadores. Há um grande mercado a ser explorado no que diz respeito a itens e serviços para coelhos de companhia. Há uma grande quantidade de instituições que fazem pesquisa e ensino em cunicultura embora se perceba que vários pesquisadores renomados estão se aposentando, não havendo renovação. Há mais de 40 fabricantes de ração e poucos formulam alimentos de boa qualidade, sendo a ração comercializada a preços elevados. Muitos são os problemas que afetam os cunicultores brasileiros, merecendo destaque a falta de políticas públicas específicas de fomento à atividade, trabalho dos cunicultores de forma isolada sem organização, necessidade de melhoria do material genético disponível, falta de abatedouros e inexistência do processamento da carne, falta de especialistas em cunicultura, falta de materiais e equipamentos de boa qualidade, falta de informação da população em relação às qualidades nutricionais da carne de coelho e o elevado preço da carne ao consumidor final. Além disso, a legislação brasileira é extremamente rigorosa para montagem de abatedouros. São ações implementadas pela Associação Científica Brasileira de Cunicultura a criação de grupos de discussão visando melhoria do diálogo, criação de nova página na internet para divulgação de atividades e informações técnicas, organização e distribuição de um CD de publicações, elaboração de materiais didáticos como manual de formulação de ração e suplementos, manual prático de cunicultura e notas técnicas, realização de eventos tais como mini-cursos de cunicultura, dia do cunicultor, seminários nacionais de ciência e tecnologia em cunicultura, criação de uma revista nacional, atendimento a cunicultores e interessados de todo país, estímulo à formação de cooperativas e associações de cunicultores e instituição de prêmio para profissional em destaque. Além dessas ações, são previstas ainda a implementação de cursos de formação inicial e continuada em cunicultura, a divulgação desta atividade, destacando seus benefícios para a sociedade e a criação de um canal de vídeos explicativos na internet. Nos últimos dois anos, se percebeu elevação na procura de animais por parte dos abatedouros. A organização dos cunicultores deve ser priorizada para que haja maior diálogo. Existe no mercado falta de um órgão que gerencie as compras e vendas de animais.
Métodos de digestibilidade in vitro na avaliação dos alimentos para coelhos
Escrito por Luiz MachadoOs ensaios de determinação da digestibilidade in vitro são mais rápidos, práticos e econômicos quando comparados aos ensaios in vivo. Este estudo objetivou identificar e avaliar diferentes técnicas de determinação in vitro para coelhos, determinando a degradabilidade, digestibilidade, produção de gases e cinética de fermentação. Foram utilizados sete grupos de coelhos doadores, compostos cada um por três animais de 75 dias de idade, que recebiam sete diferentes dietas experimentais divididas em tradicional, simplificada e semi-simplificadas. A avaliação dos métodos de digestibilidade in vitro foi realizada através de dois métodos. O primeiro consistiu do método in vitro de produção de gases onde cada grupo forneceu material para uma repetição de todas as dietas experimentais avaliadas (tratamentos), sendo consideradas 49 unidades experimentais. Foi medida a pressão em intervalos previamente definidos e através de equação matemática se determinou o Volume de Gases Produzido (VGP). Foram determinadas também a correlação entre a digestibilidade in vivo e a degradabilidade in vitro bem como entre a digestibilidade in vivo e o VGP. O segundo método in vitro consistiu do tradicional de duas etapas, modificado de tal forma que foram utilizadas quatro diferentes técnicas, sendo modificados o tempo da primeira fase (12 ou 24h) e o meio para execução da segunda fase (digestão ácida com pepsina ou digestão com o detergente neutro). Como inóculo, foi utilizada mistura de material colhido a partir do ceco de coelhos de 75 dias de idade. Foram avaliadas sete dietas experimentais sendo uma tradicional, uma simplificada e cinco semi-simplificadas. Para obtenção dos valores base foi realizado experimento in vivo, antes da determinação in vitro. Ao estudo da modificação do tradicional método de duas etapas, foram feitas somente comparações descritivas e regressão simples. Foram observadas diferenças significativas entre a degradabilidade da matéria seca e degradabilidade da matéria orgânica, bem como para o volume de gases produzidos. A dieta referência apresentou os maiores valores de degradabilidade in vitro bem como de VGP. As equações de regressão linear encontradas apresentaram elevado coeficiente de determinação, indicando a possibilidade de utilização da técnica de produção de gases. Em relação às modificações propostas ao método de digestibilidade in vitro proposto por Tilley e Terry, dentre as metodologias testadas, a de 12 h de fermentação, com posterior digestão ácida com pepsina, apresentou maior similaridade com os valores in vivo. A partir da regressão linear, foi verificada alta correlação entre os dados de digestibilidade in vivo e de digestibilidade in vitro obtidos em todas as metodologias. Os métodos de digestibilidade in vitro se mostraram eficientes na avaliação dos alimentos para coelhos.
