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Opinião: Organização, eventos e comunicação em cunicultura
Aditivos equilibradores de flora intestinal para coelhos
Para o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tem-se por aditivo destinado a alimentação animal toda substância, micro-organismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizada normalmente como ingrediente, tenha ou não valor nutritivo e que melhore as características dos produtos destinados à alimentação animal ou dos produtos animais, melhore o desempenho dos animais sadios e atenda às necessidades nutricionais ou tenha efeito anticoccidiano. Subdivide-se os aditivos zootécnicos em três categorias: digestivo, equilibradores de flora e melhoradores de desempenho. Os equilibradores de flora são microrganismos que formam colônias ou outras substâncias definidas quimicamente que têm um efeito positivo sobre a flora do trato digestório. A resistência microbiana tem aumentado demasiadamente em todo mundo, tanto nos animais como nos humanos. Fato este, ficou mais evidente após o surguimento de bactérias superresistentes a terapêutica tradicional levando indivíduos a óbito. Dentres as principais causas estão o uso indevido dos antibióticos pelos humanos e o uso de aditivos antimicrobianos na nutrição animal. Diante disso uso dos aditvos equilibradores de flora cresceu demasiadamente. Eles podem ser dividios principalmente em probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e simbióticos. Para os probióticos, após a revisão foi verificado que os estudos não conseguem mostrar claramente a efetividade do uso de probióticos para coelhos. Para os prebióticos apesar de, na maioria dos trabalhos, a inclusão ter sido positiva não foi raro a ausência de efeito sobre os parâmetros analisados. Quanto aos trabalhos realizados com uso de ácidos orgânicos são poucos e contraditórios, o mesmo ocorreu para os simbióticos. O uso de substâncias alternativas aos antibióticos tem se mostrado fundamental na manutenção da súde intestinal dos animais, no entanto, as pesquisas realizadas muitas vezes não retratam fielmente as condições de campo mascarando possíveis resultados benéficos.
Sistemas de produção em cunicultura
Para o sucesso da cunicultura, é fundamental que se discutam e proponham sistemas que associem elevada produtividade, economia, bem estar dos animais às condições de trabalho de cada produtor. Essa atividade pode ser realizada em escalas diversas, variando da subsistência à produção em grande escala nos galpões. A qualidade da nutrição pode variar, sendo mais exigente em sistemas de alta produtividade. Em sistemas alternativos e de subsistência, a nutrição poderá ser mais simplificada, com uso de suplementação volumosa alternativa. O mesmo acontece com a reprodução, que é intensificada a partir da tecnificação do sistema produtivo. A escolha da raça/linhagem a ser criada depende das condições de criação, buscando a adequação da produtividade em função da rusticidade exigida para o sistema. Em relação às instalações, devem ser considerados aspectos de densidade animal, tipo de gaiola, comedouros, bebedouros, ninho entre outros. Existem diversos sistemas de produção em cunicultura, adaptáveis as escalas produtivas, desde criações de subsistência a grandes granjas comerciais, podendo ser citados os sistemas industriais em galpões, onde se utilizam materiais e instalações industriais e sistemas de criações alternativos, onde são adaptados materiais e instalações para redução dos custos da atividade, tais como baias coletivas, gaiolas ou viveiros ao ar livre, módulos do tipo cabana, animais soltos em piquetes além de sistemas para criação de coelhos PET. Assim, é possível a criação de coelhos em variados sistemas produtivos, adaptados a cada realidade. O cunicultor, juntamente com o auxílio de um técnico, deverá escolher o melhor sistema conforme suas pretensões e possibilidades, bem como a atenção ao clima da região e capital para investimento.
Opinião: Organização e estratégias da cunicultura brasileira – buscando soluções
O Brasil é um emergente com grande potencial para a atividade de cunicultura. Contudo, a história desta atividade sempre foi marcada por autos e baixos. A população brasileira de coelhos vem caindo ao longo dos últimos anos embora se perceba que a quantidade de coelhos de estimação vem aumentando consideravelmente. Não é possível a estimativa segura da quantidade de carne produzida, pois a maior parte é realizada sobre condições informais. Sabe-se que a demanda por carne é maior que a oferta. A criação de coelhos de estimação cresceu muito nos últimos anos e despertou o interesse de novos criadores. Há um grande mercado a ser explorado no que diz respeito a itens e serviços para coelhos de companhia. Há uma grande quantidade de instituições que fazem pesquisa e ensino em cunicultura embora se perceba que vários pesquisadores renomados estão se aposentando, não havendo renovação. Há mais de 40 fabricantes de ração e poucos formulam alimentos de boa qualidade, sendo a ração comercializada a preços elevados. Muitos são os problemas que afetam os cunicultores brasileiros, merecendo destaque a falta de políticas públicas específicas de fomento à atividade, trabalho dos cunicultores de forma isolada sem organização, necessidade de melhoria do material genético disponível, falta de abatedouros e inexistência do processamento da carne, falta de especialistas em cunicultura, falta de materiais e equipamentos de boa qualidade, falta de informação da população em relação às qualidades nutricionais da carne de coelho e o elevado preço da carne ao consumidor final. Além disso, a legislação brasileira é extremamente rigorosa para montagem de abatedouros. São ações implementadas pela Associação Científica Brasileira de Cunicultura a criação de grupos de discussão visando melhoria do diálogo, criação de nova página na internet para divulgação de atividades e informações técnicas, organização e distribuição de um CD de publicações, elaboração de materiais didáticos como manual de formulação de ração e suplementos, manual prático de cunicultura e notas técnicas, realização de eventos tais como mini-cursos de cunicultura, dia do cunicultor, seminários nacionais de ciência e tecnologia em cunicultura, criação de uma revista nacional, atendimento a cunicultores e interessados de todo país, estímulo à formação de cooperativas e associações de cunicultores e instituição de prêmio para profissional em destaque. Além dessas ações, são previstas ainda a implementação de cursos de formação inicial e continuada em cunicultura, a divulgação desta atividade, destacando seus benefícios para a sociedade e a criação de um canal de vídeos explicativos na internet. Nos últimos dois anos, se percebeu elevação na procura de animais por parte dos abatedouros. A organização dos cunicultores deve ser priorizada para que haja maior diálogo. Existe no mercado falta de um órgão que gerencie as compras e vendas de animais.
Opinião: A cunicultura Pet no Brasil
Ingredientes não convencionais na nutrição cunícula no Brasil
Na alimentação animal a maior parte dos ingredientes utilizados para compor as dietas balanceadas são cultivados para esta finalidade, consequentemente aumentando o custo do produto final. O objetivo desta revisão é elucidar quais os ingredientes não convencionais disponíveis em território brasileiro com potencial uso para a nutrição cunícola vem sendo utilizados na última década. Percebeu-se que os principais ingredientes alternativos utilizados foram as cascas, tortas, farelos, bagaços e polpas. Neste sentido, a utilização destes produtos secundários proporcionam maior sustentabilidade na produção cunícula, reduzem os custos e ainda reduzem os passivos vegetais abundantes no Brasil.
Criação de coelhos em sistemas coletivos
Na atualidade, muito tem se pesquisado sobre o comportamento e bem-estar dos coelhos e, neste sentido, vários sistemas têm sido propostos. Na natureza, o coelho é um animal social, vivendo em grupos e mantendo uma hierarquia estável. Nos atuais sistemas produtivos, o coelho é um animal que vive individualizado, na ociosidade, e que perdeu a possibilidade de execução de grande número de comportamentos lúdicos e exploratórios. Neste sentido, várias normativas têm sido propostas para melhoria da qualidade de vida desses animais. Os primeiros sistemas coletivos para alojamento de fêmeas mantinham os animais juntos durante todo o tempo, o que favorecia a elevação da taxa de infanticídio, pois mais de uma coelha paria no mesmo local. A partir da separação das coelhas no período prévio ao parto, criou-se o sistema de semi-grupos, que consideram a individualização do animal em parte do tempo. Parece que o sistema de semi-grupo de maior sucesso é aquele que considera a manutenção coletiva dos animais por 21 dias e individualiza os mesmos nos outros 21 dias do ciclo, sendo os animais reagrupados quando os láparos estão com 18 dias de idade. Neste momento há grande agressividade entre as coelhas para determinação de hierarquia, o que eleva a taxa de descarte. Para coelhos em crescimento, um maior espaço favorece maior frequência comportamental. Contudo, pode haver maior incidência de brigas e lesões em sistema que associam maior tamanho do recinto à elevada densidade, principalmente no período próximo à maturidade sexual. Não há consenso para a adoção de um sistema que associe a demanda de bem-estar dos animais com excelentes índices produtivos, não estando claro ainda quais são os melhores sistemas para implantação nas granjas que sejam economicamente viáveis. O enriquecimento ambiental de gaiolas é uma possibilidade que precisa ser melhor considerada para melhoria do bem-estar.
Doenças em coelhos: as 20 enfermidades que mais causam prejuízos na cunicultura
O objetivo deste trabalho foi organizar de forma simples e resumida uma coletânea das 20 doenças que mais causam prejuízos aos cunicultores, bem como as medidas profiláticas para as mesmas. Desta forma, objetivamos que esta coletânea de informações possa subsidiar os profissionais da área com informações técnicas recentes (dos últimos 10 anos) a aprimorarem seus conhecimentos e por consequência lograrem êxito em suas criações. As doenças abordadas foram: Virais – Mixomatose, Doença Hemorrágica do Coelho e Raiva; Bacterianas – Pasteurelose, Mastite, Salmonelose, Tularemia e Dermatite úmida; Fúngicas – Encefalitozoonose e Demafitose; Congênitas – Displasia coxofemoral e Prognatismo; Nutricionais – Febre vitular e Tricofagia; Parasitárias – Sarna, Toxoplasmose, Helmintoses e Coccidiose; e outras doenças – Pododermatite e Calcificação nas artérias. Percebe-se que, na maioria dos casos é possível que o produtor previna-se do aparecimento da maior parte das doenças no plantel com bom manejo sanitário e higiene da criação. Da mesma forma é extremamente importante que o cunicultor disponha de uma equipe de suporte técnico qualificada para sanar suas dúvidas e contatar assistência sempre que houver necessidade. Ainda é válido salientar a importância da aquisição de animais com boa procedência e o correto manejo nutricional dos mesmos em ambiente adequado para o estado fisiológico dos animais (gestação, lactação, crescimento, etc).
Glicerina na alimentação de coelhos
~Tanto a cunicultura de corte quanto a cunicultura voltada para a comercialização de animais de companhia são atividades com potencial de crescimento no Brasil. Porém, para que a criação de coelhos seja mais atrativa e rentável é necessário que alguns desafios sejam contornados, sendo um deles a necessidade de redução dos custos com a alimentação dos animais. Neste sentido, pesquisas têm sido desenvolvidas para avaliar o uso de ingredientes alternativos a fim de contribuir para a formulação de rações cada vez mais adequadas às exigências nutricionais dos animais e de menor custo. A glicerina bruta é um coproduto oriundo da produção do biodiesel e tem sido considerada como um ingrediente energético na alimentação animal. Os trabalhos científicos utilizados na elaboração desta revisão demonstram que os coelhos conseguem absorver e metabolizar a glicerina presente na ração. Porém, é importante considerar que o valor energético e o nível máximo de inclusão da glicerina na ração dependem de fatores como, por exemplo, a composição química e o grau de processamento da glicerina utilizada.
Aleitamento natural e artificial de coelhos
Atualmente, devido ao elevado crescimento do número de coelhos mantidos como animais de estimação e a elevada prolificidade das matrizes comerciais, é observado uma nova demanda por sucedâneos lácteos para coelhos. O leite da coelha é bastante diferente quando comparado ao leite de outras espécies de animais domésticos, principalmente por ser altamente concentrado em proteína e gordura e apresentando baixo nível de lactose. A fisiologia dos láparos lactantes está adaptada a este produto e somente após a ingestão de alimentos sólidos haverá maior desenvolvimento da capacidade de digestão do amido e de fermentação de carboidratos no ceco. A coelha amamenta seus filhotes uma ou duas vezes ao dia e cada filhote ingere grande quantidade de nutrientes diariamente. Existem hoje no mercado poucos sucedâneos comerciais do leite de coelhos para filhotes, embora haja diversas receitas caseiras facilmente encontradas na internet. Para cuidados com o filhote órfão, será necessário protegê-lo e alimentá-lo de forma adequada, existindo várias particularidades neste processo. Trabalhos que avaliem o uso de sucedâneos para estes animais devem ser desenvolvidos a fim de melhor elucidar o tema.
