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Fisiologia da lactação em coelhas: aspectos comportamentais, anatômicos e fisiológicos
O objetivo com a revisão foi abordar sobre a fisiologia da lactação das coelhas, pontuando sobre a anatomia e a histologia da glândula mamária em todas as fases do seu desenvolvimento até a produção de leite. O período mais crítico na cunicultura é do nascimento ao desmame dos láparos (em torno de 30 dias de vida), momento que ocorre a maior mortalidade do plantel, pois são animais mais sensíveis e dependem exclusivamente dos cuidados maternos durante um período. Durante essa fase, pode ocorrer alguns entraves relacionados a própria matriz, como o desenvolvimento de doença que acomete as glândulas mamárias (mastite ou mamite), a hipogalactia (produção insuficiente de leite ou não produção), abandono da prole e também a morte da fêmea. A fisiologia da lactação se mostra de extrema importância, abordando os comportamentos únicos de lactação e amamentação das coelhas, a composição do leite e as estruturas anatômicas e histológicas das glândulas mamárias, além de todas as fases de desenvolvimento que incluem a formação da glândula mamária, ejeção e secagem do leite (mamogênese, lactogênese, galactopoiese e involução mamária), e também motivos pelos quais pode haver comprometimento da função primordial das mesmas (alimentação dos filhotes). Assim, compreender esses motivos auxilia na melhor tomada de decisão entre os cunicultores, em que, desvendar os processos fisiológicos da lactação das coelhas favorece o entendimento dos ciclos reprodutivos e até mesmo do ritmo reprodutivo empregado na granja. A compreensão da fisiologia de lactação possibilita intervir positivamente desde a alimentação dessas fêmeas até na seleção de animais que serão utilizados como futuras matrizes, além de diminuir a taxa de mortalidade de láparos até o desmame, beneficiando os sistemas produtivos de coelhos.
CADERNOS DO I WORKSHOP BRASILEIRO DE COELHOTERAPIA
Os Cadernos do I Workshop Brasileiro de Coelhoterapia reúnem os resumos dos trabalhos apresentados durante este evento pioneiro no cenário nacional, dedicado à discussão científica, técnica e interdisciplinar das práticas de intervenções e atividades assistidas por coelhos. O workshop constituiu-se como um espaço qualificado de diálogo entre pesquisadores, docentes, estudantes, profissionais da saúde, da educação, das ciências agrárias e do comportamento animal, além de extensionistas, refletindo o caráter plural e colaborativo que fundamenta a coelhoterapia.
A realização do I Workshop Brasileiro de Coelhoterapia foi fruto de um esforço coletivo, construído “a muitas mãos”, envolvendo diferentes instituições, áreas do conhecimento e trajetórias profissionais. Essa diversidade se reflete diretamente nos trabalhos aqui apresentados, que abordam a coelhoterapia sob múltiplas perspectivas, integrando aspectos relacionados ao bem-estar animal, à ética no uso de animais em contextos terapêuticos e educativos, às bases científicas das intervenções assistidas por animais, bem como às experiências práticas desenvolvidas em distintos contextos institucionais e sociais.
Os cinco resumos que compõem estes Cadernos representam contribuições relevantes para a consolidação da coelhoterapia como campo emergente de estudo, prática e extensão no Brasil. Ainda que distintos em seus objetivos, metodologias e abordagens, os trabalhos convergem no compromisso com a produção de conhecimento responsável, fundamentado cientificamente e sensível às demandas humanas e animais envolvidas nas práticas terapêuticas assistidas por coelhos.
Ao sistematizar e registrar as contribuições apresentadas no evento, estes Cadernos cumprem o papel de preservar a memória acadêmica do I Workshop Brasileiro de Coelhoterapia, ao mesmo tempo em que incentivam a continuidade das pesquisas, das ações extensionistas e do diálogo interdisciplinar. Espera-se que este material sirva como referência inicial para pesquisadores, profissionais e estudantes interessados no tema, estimulando novas investigações, práticas qualificadas e a construção de redes colaborativas em torno da coelhoterapia no Brasil.
Frederico Westphalen, dezembro de 2025
Profa. Dra. Ana Carolina K. Klinger
Anais do IX SENACITEC
Sob a organização conjunta da Universidade Federal de Sergipe - Campus São Cristóvão e da Associação Científica Brasileira de Cunicultura - ACBC, a programação do evento foi composta por palestras, minicursos e apresentação de trabalhos científicos, bem como, depoimentos e trocas de experiências entre Universidades, Setores Produtivos, Cunicultores, Tutores e demais interessados. Acreditamos ter contribuído para maior difusão da ciência cunícola e para promoção do diálogo entre todos os envolvidos.
Avaliação da maçã como suplemento na dieta de coelhos em crescimento
O objetivo deste trabalho foi analisar o efeito da suplementação de níveis de maçã desidratada na nutrição de coelhos na fase de crescimento. Foram alojados em gaiolas medindo 40 por 60 cm (largura e comprimento), em dupla, 24 coelhos da raça Nova Zelândia Branca, com 30 dias de idade, com peso médio inicial de 650 ± 0,13g, com duração de 28 dias. Os animais receberam ração comercial, diferindo-se pela suplementação de 0, 10, 20 e 30% de maçã (M0, M10, M20 e M30). Foi avaliado o desempenho animal mensurando o peso vivo, ganho de peso semanal, consumo de ração, conversão alimentar e a digestibilidade. Não houve diferença significativa entre os tratamentos para o peso vivo, ganho de peso médio diário e conversão alimentar nos períodos de 0-14 dias e 14-28 dias (p>0,05). Porém, houve um maior consumo de ração para o tratamento controle (p<0,05) quando comparado aos grupos suplementados, independentemente do nível suplementado. No período acumulado (1-28 dias), obteve-se um menor consumo de ração com 20% e 30% de suplementação, melhor conversão alimentar e menor produção de fezes no grupo que recebeu com 30% de maçã. O consumo de maçã foi no máximo de 14g mesmo nos grupos suplementados com 20% e 30% de suplementação (p>0,05). A digestibilidade dos nutrientes foi melhor nos grupos que receberam a dieta contendo 30% de suplementação de maçã (p<0,05). Os grupos com 0, 10 e 20% de suplementação de maçã apresentaram comportamento intermediário. A suplementação com maçã não melhorou o ganho peso dos animais, mas reduziu o consumo de ração e melhorou a conversão alimentar, aumentando a digestibilidade dos nutrientes e reduzindo o volume fecal, principalmente com 30% de suplementação.
Estado da arte da Mixomatose em leporídeos no território nacional
No Brasil, a Mixomatose é uma doença de notificação obrigatória junto ao Ministério daAgricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que acomete toda a ordem dos lagomorfos. Trata-se de uma enfermidade de alta morbidade e mortalidade, causando preocupação eprejuízos para os cunicultores brasileiros. Os principais sinais clínicos desta doença são tumorações subcutâneas que se desenvolvem no nariz, lábios, orelhas e aberturas genitais. No entanto, a escassez de dados na literatura brasileira sobre a ocorrência da mixomatose no território nacional pode ser uma das causas para o descompasso entre o que é observável na prática e o que consta nos documentos oficiais. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é auxiliar profissionais da medicina veterinária e áreas afins, bem como cunicultores, a compreender a profilaxia, os sinais clínicos, a etiologia, a microbiologia e a fisiopatologia da mixomatose. Para tal, elaborou-se uma revisão de literatura em bases de dados online, elaborando-se um fluxograma sobre os processos de notificação da doença ao MAPA, uma tabela de diagnósticos diferenciais e imagens de clínica compatível com a doença. Após a execução deste trabalho, evidenciou-se que a mixomatose permanece um assunto muito obscuro, para o qual há escassez de estudos e informações práticas, sendo este um grande entrave ao diagnóstico assertivo, controle e prevenção da enfermidade, bem como a notificação obrigatória junto ao MAPA.
Avaliação de diferentes protocolos hormonais para indução da ovulação em coelhas
A inseminação artificial (IA) de coelhos vem se tornando uma prática consolidada devido a sua capacidade de otimizar os recursos humanos e aumentar o desempenho reprodutivo dos animais. Desta forma foi realizado um trabalho comparando alguns hormônios análogos ao GNRH, suas doses e métodos de aplicação. As coelhas foram inseminadas com uma mistura de ejaculados de reprodutores provados no plantel, diluídos em triscitrato- glicose na proporção de 1:9 sêmen e diluente, e dose inseminante de 0,5 ml por coelha. Foram avaliados os hormônios buserelina e lecirelina em dois períodos distintos do ano. Ambos hormônios foram administrados pela via intramuscular (IM), que constituiu o grupo controle, ou diluídos diretamente na dose inseminante (IV), em uma concentração cinco vezes (5X) ou 10 vezes (10X) maior que a do grupo controle. No ciclo da buserelina foram inseminadas 18 coelhas, seis em cada grupo. No grupo controle buserelina intramuscular (BIM) nasceram 13 láparos, seguidos por 10 e 9 nos grupos buserelina intravaginal BIV5X e BIV10X respectivamente. A fertilidade foi de 66,66% para o grupo controle e 33,33% para ambos grupos intravaginal. No ciclo da lecirelina os tratamentos foram semelhantes, lecirelina intramuscular (LIM) com 10 coelhas, lecirelina intravaginal (LIV5X) e (LIV10X) com 11 coelhas cada. A fertilidade foi de 70% para LIM, 45% para LIV5X e 72,73% para LIV10X, e nasceram 32, 31 e 44 láparos respectivamente. Em ambos os ciclos foram avaliados o número de láparos por coelha, peso dos láparos ao nascer, peso da ninhada ao nascer e o peso total dos nascidos no grupo. Não houve diferença para as variáveis estudadas entre os tratamentos nos dois ciclos, mostrando que os hormônios podem ser utilizados tanto pela via intramuscular como pela via intravaginal.
Anais do VIII Seminário Nacional de Ciência e Tecnologia em Cunicultura VIII SENACITEC 15 a 17 de março de 2024 – Bambuí-MG
Este evento foi realizado em formato híbrido, ou seja, todas as atividades aconteceram de maneira presencial, sendo as palestras e mesas redondas transmitidas também de forma on line para os inscritos no evento. Sob a organização conjunta do Instituto Federal de Minas Gerais - IFMG - Campus Bambuí e da Associação Científica Brasileira de Cunicultura - ACBC, a programação do evento foi composta por palestras, minicursos, apresentação de trabalhos científicos, feira, debates, depoimentos e trocas de experiências entre Universidades, Setores Produtivos, Cunicultores, Tutores e demais interessados.
Acreditamos ter contrubuído para maior difusão da ciência cunícula bem como para maior promoção do diálogo entre todos os envolvidos.
Differences between the part-time system and individual cages for housing of breeding rabbit does in health, behaviour and management aspects
The group housing system for rabbit does is a new trend that considers aspects of welfare, a subject highly searched in current days. However, there is a lack of scientific knowledge that supports the production efficiency of these animals in more social systems. In order to evaluate the influence of the semi-group housing system on aspects of health, behaviour and management, 48 rabbit does were distributed in collective cages (six does per cage) or in individual cages. The aspects related to elimination rate, death, occurrenceof skin injuries, pododermatitis, dirtiness, behaviour after regrouping, location place of kits, corticosterone levels and management were evaluated. The elimination of does was mainly associated with their behaviour (P = 0.0292). It was observed high frequency of skin injuries from agonistic behaviour, mainly in first cycle. A higher frequency ofpododermatitis was observed in does from individual cages in 4th cycle. The first 30 minutes after regrouping was a critical time and the agonistic behaviour was performed mainly by dominant does. After 24 hours of regrouping, all kits were already mixed, and the does did not distinguish their own offspring for suckling. The corticosterone level was higher in the first cycle than in the fourth cycle (71,2 vs 39,8 ng/g, P=0.0001) and in general higher values were measured in the part-time system, mainly in the period before kindling. The handling time for palpation was greater in part-time systems and can contribute to the increased costs of production. In general terms, the semi group housing system negatively affected aspects of health, behavior and management, requiring further research that seeks to minimize the effects related to agonistic interactions between rabbit does.
Effect of banana peel and sweet potato vines on the fur of growing rabbits
Rabbits’ skin is considered an excellent by-product and has several purposes, such as making clothes and artifacts in general. The aim of this study was to evaluate the effect of the inclusion of banana peel (BP) and sweet potato vines (SPV) on the length of the fur of rabbits fed different levels of these ingredients. Twenty-five New Zealand White rabbits, of both sexes, weaned at 35 days old, were randomly distributed in individual cages, in five treatments with five replications each, in a completely randomized design. The animals received one of the following diets: control (0BP+SPV) without BP and SPV; (25BP+SPV) experimental diet with 25% BP and SPV replacing maize and alfalfa hay; (50BP+SPV) experimental diet with 50% BP and SPV replacing maize and alfalfa hay; (75BP+SPV) experimental diet with 75% BP and SPV replacing maize and alfalfa hay; and (100BP+SPV) experimental diet with 100% BP and SPV replacing maize and alfalfa hay. The biological assay lasted 49 days, where food and water were provided ad libitum. At the end of the test, a portion of hair was removed from the nape, loin and thigh region to measure the length. Means were compared through analysis of variance, followed by Tukey test (0.05). The hair length results obtained showed that there were no differences between treatments. In this way, it is concluded that it is possible to completely replace maize and alfalfa hay by the combination of BP+SPV in rabbit rations, for fur generation, without changing the characteristics of the fur.
Performance of kits that born in semi-group housing system or individual cages before and after weaning
Animal welfare is a subject of great interest and the housing of rabbit does in semi-group housing system is under investigation, but there is a lack of information about the effect on performance of kits in this system. A total of 1362 crossbred kits from the first four cycles of 48 rabbit does housed in semi-group housing system (24 does, six per pen, part-time system) and individual cages (24 does) were allocated at weaning into wire mesh cages (50 × 80 × 34 cm), eight kits per cage, maintaining or not the original litter (mixed or non-mixed). The kits were weighed at 18, 28 (weaning) and 56 d of age and their performance was evaluated. The feed intake (FI) of jointly does and kits was measured during the periods kindling – 18 lactation days (K-18L) and 18 days until weaning (18L-W). Kits from semi-group housing system were heavier at 18 d (300 vs 293 g, P≤0.01) being this related to a higher FI in the period K-18L (P≤0.05). Regrouping had a negative impact on the feed consumption of animals housed in semi-group housing system, so in the period 18L-W the FI in individual cages was higher (499 vs 526 g, P≤0.01). No differences were observed in kits’ weight at 28 and 56 days, feed intake, daily weight gain or feed conversion ratio, and mortality of kits. In conclusions, no residual effect of the housing system was recorded on fattening rabbits performance and, considering performance aspects, kits from semi-group housing system can be housed litter-mixed or non-mixed in fattening cages.
