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Sex, 19 de Setembro de 2014 17:08

A EQUIPE DA RBC INFORMA QUE A FORMATAÇÃO DOS TEXTOS

DESCRITOS ABAIXO NÃO É A MESMA DOS EDITORES DE TEXTO

USUAIS E QUE PODE ESTAR DESCONFIGURADA.

PEDIMOS DESCULPAS POR ESSE INCONVENIENTE.

 

Sumário da Revista Brasileira de Cunicultura,v.06 , n° 01,

Setembro de 2014

1) Editorial

2) Entrevista: Prof. Dra. Ana Silvia A. M. T. Moura

3) Ciência traduzida: Escala de gordura corporal das carcaças de coelhos.

4) Opinião: Organização e Estratégias da Cunicultura Brasileira - A busca por soluções

5) Artigo científico I: Métodos de digestibilidade in vitro na avaliação dos alimentos para coelhos

6) Artigo de revisão bibliográfica: Sistemas de produção em cunicultura

 

 

1) Editorial

Saudamos a todos os trabalhadores da cunicultura brasileira, dentre produtores, professores, estudantes e outros. Acreditamos que esse ano está sendo crucial para o futuro da cunicultura brasileira. Percebemos que a cunicultura PET está em alta, bastando uma rápida pesquisa na internet ou nas redes socais para evidenciar essa realidade. A cunicultura Carne vem se recuperando no Brasil, pois todos os abatedouros do sudeste aumentaram a procura por animais vivos. O valor pago por kg de coelho aumentou, o que estimula os novos interessados na atividade.

Nesse sexto volume da RBC, inovamos com uma nova seção, uma entrevista de uma professora que trabalhou mais de 30 anos com a cunicultura. Agradecemos à prof. Dra. Ana Silvia pela colaboração. No trabalho de opinião, os autores apresentam a enorme capacidade do Brasil para desenvolvimento da cunicultura, algumas informações recentes sobre a cunicultura brasileira, problemas e ações realizadas para melhoria desta situação. Além disso há outros trabalhos científicos, inclusive uma revisão sobre sistema de produção em cunicultura, a qual mostra que existem várias formas para a criação destes animais, adaptáveis a cada situação.

Agradecemos a todos os autores desses trabalhos, que não mediram esforços para pesquisas e melhorias na atividade produtiva. Esperamos que todas as informações apresentadas neste volume sejam de grande valia para todos os interessados.

Atenciosamente

Luiz Carlos Machado

Coordenador da Equipe Editorial

Presidente da ACBC


 

2) Entrevista: Prof. Dra. Ana Silvia A. M. T. Moura

 

1) Como começou a trabalhar com o ensino e pesquisa em cunicultura?

Foi por opção. A oportunidade veio logo após a conclusão do Curso de Graduação em Zootecnia na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP, em Botucatu, onde fui da primeira turma do Curso de Graduação em Zootecnia, formada em 1980. Como acontece com muitos cursos que estão iniciando, havia falta de professores. Foram-me oferecidas três áreas que estavam sem professor e eu escolhi a Cunicultura. Já havia um pequeno núcleo de cunicultura na Fazenda Lajeado da UNESP, mas eu não tinha experiência prática. Então, antes de iniciar minhas atividades docentes como Auxiliar de Ensino na disciplina de Cunicultura em 1981, estagiei numa granja de grande porte, onde atuavam na época pelo menos três profissionais de nível superior. Então foi em 1981, recém-formada que iniciei a carreira de ensino e pesquisa em cunicultura. Naquela época os cursos de pós-graduação eram poucos e era possível se iniciar uma carreira acadêmica sem os títulos de Mestre e Doutor. Eu obtive esses títulos em 1990 e 1997, respectivamente. A pesquisa começou na mesma época, mas tinha menos importância na universidade do que tem hoje.

 

2) Durante o tempo em que esteve na UNESP, quais foram as principais contribuições para a cunicultura Paulista e Brasileira?

Acredito que a maior contribuição tenha sido o trabalho de seleção de coelhos do Grupo Genético Botucatu. Foi um trabalho contínuo e árduo, iniciado em 1989 e que ainda se mantém até hoje, apesar da aposentadoria. Houve uma pausa durante os anos (meados de 1994 ao final de 1997) em que me ausentei do Brasil para cursar o Doutorado na University of Missouri, Columbia, Estados Unidos. Hoje eu tenho um acordo de “Serviço Voluntário” com a FMVZ – UNESP e continuo auxiliando no trabalho com a população de coelhos do Grupo Genético Botucatu. O desenvolvido ao longo dos anos com os coelhos gerou oito trabalhos de Iniciação Científica, pelo menos sete teses e dissertações das quais fui orientadora ou co-orientadora, mais a minha tese de Livre-Docência. Também com base nesse trabalho, foram publicados 22 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais e cerca de 90 trabalhos foram apresentados em congressos e reuniões científicas nacionais e internacionais. Conseguimos divulgar, através da pesquisa publicada, o Grupo Genético Botucatu nos principais fóruns mundiais de cunicultura, como as revistas World Rabbit Science, Livestock Science e Animal e os Congressos Mundiais de Cunicultura realizados no México em 2004 e na Itália em 2008. Ainda tenho uma orientada de doutorado trabalhando com os coelhos, portanto o trabalho prossegue.

 

3) Fale de como surgiu o coelho Botucatu e do potencial de utilização deste animal.

A origem da população foi uma importação de coelhos híbridos NORFOLK 2000 do Reino Unido feita em pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (FCMBB) há mais de quatro décadas, em 1971. Depois veio o programa de seleção, iniciado em 1989, conforme indicado anteriormente, que resultou na linhagem “Botucatu” com as características atuais. A proposta é de produzir animais que apresentem mérito genético para de crescimento e prolificidade, então é uma linhagem multi-propósito. No entanto, o programa de seleção em população fechada ao longo de décadas causa aumento da consanguinidade. Desta forma, não recomendamos a criação comercial de coelhos Botucatu puros, mas sim que os machos Botucatu sejam usados em cruzamentos com fêmeas de origem diferente com o intuito de melhorar o desempenho. As fêmeas mestiças Botucatu podem também ser usadas na produção comercial com bom resultado.

 

4) Quais os maiores desafios na atualidade para que a cunicultura seja vista como uma importante atividade de exploração animal, que contribua significativamente para a economia brasileira?

Os desafios são muitos. As principais razões de a nossa Cunicultura ter uma importância econômica limitada, não são ruins para o nosso país. O Brasil é um grande produtor mundial de carnes de frango, bovina e suína. Estas cadeias de produção se desenvolveram muito nos últimos anos e abastecem o mercado interno oferecendo carne a preços muito competitivos e ainda destinam volumes significativos para a exportação. É difícil competir neste cenário, mas a cunicultura tem a seu favor a qualidade nutricional da carne de coelho. Portanto, existe um potencial de crescimento da atividade à medida que aumenta a conscientização da população em relação à importância da qualidade da alimentação. Também temos vários desafios no mercado de insumos para cunicultura. Há muito que melhorar nas rações comerciais, gaiolas e equipamentos, vacinas e medicamentos, materiais para cama, para citar os mais importantes. Faltam profissionais com experiência em cunicultura para orientar os criadores. Persistem muitos criadores amadores, cuja principal atividade não é a cunicultura. A rede de abatedouros ainda é muito restrita. Difícil dizer o que é causa e o que é consequência em toda essa problemática.

 

5) Considerando toda e experiência nesses anos, o que podemos esperar para a cunicultura Brasileira no futuro?

Esperamos um desenvolvimento consistente, ainda que lento, da atividade. Que ela ocupe o espaço que lhe cabe de produtora de carne de alta qualidade nutricional, de alternativa muito interessante para uma alimentação saudável. É interessante explorar nichos de mercado ligados ao turismo, à alta gastronomia e à produção orgânica, que está em alta para outros produtos. Isso diz respeito ao mercado da carne. Existem outros mercados para a cunicultura como o de animais de estimação (pet) e exposição e o de coelhos para pesquisa biomédica, que vem crescendo recentemente. É preciso trabalhar com o objetivo de diferenciar entre os animais de raças e linhagens albinas, de rápido crescimento, destinadas ao abate para a produção de carne e os animais de companhia. Estes últimos de raças e linhagens nas quais a beleza e os atributos físicos (cor da pelagem, posição de orelhas, tamanho corporal) e comportamentais (docilidade) contam mais. Se conseguirmos dissociar o coelho de corte dos animais de companhia teremos progresso na aceitação da carne de coelho.

 

A equipe da RBC agradece profa. Ana Silvia Moura que gentilmente cedeu essa entrevista.

 

3) Ciência traduzida

Nesta seção são disponibilizadas informações sobre trabalhos científicos, reescritas de maneira que proporcionem fácil leitura.

Também disponibilizamos trabalhos escritos em língua estrangeira traduzidos para o português.

 

Trabalho: Escala de gordura corporal nas carcaças de coelhos

Tradutor: Yuri Jaruche

Escala de avaliação do estado de gordura da carcaça de coelho INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA –ITAVI

 

 

Escala de gordura corporal das carcaças de coelho

Echelle d'adiposité des carcasses de lapin

AFNOR NF V47-001

Fonte: Estação de Pesquisa Cunícolas, CR INRA Toulouse

Source: Station de Recherches Cunicoles, CR INRA de Toulouse

 

 

 

Comentários: As carcaças são apresentadas de cabeça para baixo. As fotos são em preto e branco para evitar que o leitor seja influenciado por ligeiras diferenças de cor entre a gordura e a carne.

Commentaires: Les carcasses sont présentées la tête en bas. Les photos sont en Noir & Blanc pour éviter

que le notateur se laisse influencer par les ± faibles différences de couleur entre le gras et la viande.


NOTA 1:

• Pouca ou nenhuma gordura;

• Os dois rins estão descobertos.


NOTA 2

• Duas massas gordurosas laterais individualizadas e na virilha duas tiras estreitas;

• Nenhuma linha gordurosa ao longo da espinha;

• O rim direito é ligeiramente coberto pelo externo;

• O rim esquerdo se junta o tecido adiposo parcialmente.

NOTA 3

Dois lipomas laterais largos o suficiente ao longo de todo o comprimento da cavidade abdominal e há presença de uma fina camada gordurosa ao longo da coluna vertebral;

• O rim direito é metade coberto por tecido adiposo;

• O rim esquerdo é ligeiramente coberto e seu contorno permanece visível.

NOTA 4

• Duas massas adiposas espessas e largas ao longo de todo o comprimento da cavidade abdominal e há presença de um fio gorduroso distinto juntamente com a espinha;

• O rim direito é revestido em dois terços, sendo o restante da superfície visível;

• O rim esquerdo é coberto mais da metade de sua superfície.

NOTA 5

• Duas massas gordurosas grossas e largas, incluindo o fio de gordura na zona central renal cobrindo mais do que a metade da superfície;

• O rim direito é ligeiramente visível.

• O rim esquerdo é completamente coberto.

FONTE: http://www.cuniculture.info/Docs/Phototheque/Abattage/Carcasse-Decoupe/Note-de-gras.htm

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escala de Avaliação do estado de carcaça de coelho gordo INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA -ITAVI


 

 

 

· Pouca ou nenhuma gordura;

· Pas ou peu de gras

· Os dois rins estão descobertos.

· Les 2 reins sont découverts et saillants

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escala de Avaliação do estado de carcaça de coelho gordo INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA -ITAVI

 

 

 

 

 

• Duas massas gordurosas laterais individualizadas e na virilha duas tiras estreitas;

Deux masses adipeuses individualisées latérales atteignant l'aine em deux bandes étroites.

• Nenhuma linha gordurosa ao longo da espinha;

Absence de cordon gras le long de la colonne vertébrale

• O rim direito é ligeiramente coberto pelo externo;

Le rein droit est légèrement recouvert su le côté externe

• O rim esquerdo se junta o tecido adiposo parcialmente.

Le rein gauche adhère au tissu adipeux mais n'est pas du tout recouvert.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escala de Avaliação do estado de carcaça de coelho gordo INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA -ITAVI


 

• Dois lipomas laterais largos o suficiente ao longo de todo o comprimento da cavidade abdominal e há presença de uma fina camada gordurosa ao longo da coluna vertebral;

Deux masses adipeuses latérales assez larges sur toute la longueur de la cavité abdominale et présence d'un mince cordon gras le long de la colonne vertébrale.

• O rim direito é metade coberto por tecido adiposo;

Le rein droit est à moitié recouvert par le tissu adipeux

• O rim esquerdo é ligeiramente coberto e seu contorno permanece visível.

Le rein gauche est légèrement recouvert, son contour reste apparent

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escala de Avaliação do estado de carcaça de coelho gordo INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA -ITAVI

 

•Duas massas adiposas espessas e largas ao longo de todo o comprimento da cavidade abdominal e há presença de um fio gorduroso distinto juntamente com a espinha;

Deux masses adipeuses épaisses et larges sur toute la longueur de la cavité abdominale, et présence d'un cordon gras très net le long de la colonne vertébrale.

• O rim direito é revestido em dois terços, sendo o restante da superfície visível;

Le rein droit est enrobé aux deux tiers, sa surface supérieure reste visible.

• O rim esquerdo é coberto mais da metade de sua superfície.

Le rein gauche est recouvert sur plus de la moitié de sa surface.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escala de Avaliação do estado de carcaça de coelho gordo INRA-ITAVI

Echelle de notation de l'état de gras des carcasses de lapin INRA -ITAVI

 

• Duas massas gordurosas grossas e largas, incluindo o fio de gordura na zona central renal cobrindo mais do que a metade da superfície;

Deux masses adipeuses épaisses et larges englobant le cordon grãs central dans la zone rénale et couvrant plus de la moitié de la surface du râble.

• O rim direito é ligeiramente visível.

Le rein droit reste légèrement visible.

• O rim esquerdo é completamente coberto.

 

Le rein gauche est entièrement recouvert.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4) Opinião: Organização e Estratégias da Cunicultura Brasileira - A busca por soluções

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5) Artigo científico I: Métodos de digestibilidade in vitro na avaliação dos alimentos para coelhos

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6) Artigo de revisão bibliográfica: Sistemas de produção em cunicultura

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Última atualização em Qui, 10 de Agosto de 2017 13:40