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Qua, 19 de Março de 2014 17:38

EQUIPE DA RBC INFORMA QUE A FORMATAÇÃO DOS TEXTOS DESCRITOS ABAIXO NÃO É A MESMA DOS EDITORES DE TEXTO USUAIS E QUE PODE ESTAR DESCONFIGURADA. PEDIMOS DESCULPAS POR ESSE INCONVENIENTE.

 

Sumário da Revista Brasileira de Cunicultura,v.05 , n° 01, Abril de 2014

1) Editorial

2) Nota técnica: Transporte de coelhos aos frigoríficos

3) Padrões Raciais: a) Gigante de Flandres; b) Chinchila

4) Relato de caso I: Projeto piloto: Quais das seis soluções curtentes de membros de coelhos são eficientes e qual é a mais econômica?

5) Relato de caso II: Comportamento materno observado logo após a estimulação tátil dos láparos

6) Panorama da cunicultura: Criação de coelhos em baias

7) Artigo científico I: Avaliação do desempenho produtivo de coelhos alimentados com dieta simplificada a base de feno de alfafa

8) Artigo de revisão bibliográfica: Aditivos melhoradores de flora intestinal para coelhos

9) Resumo de dissertação: Estimulação tátil de coelhos do grupo genético botucatu e seus efeitos no desempenho, temperamento e reprodução.

 

1) Editorial

Saudações a todos os trabalhadores dos setores de produção, ensino, pesquisa e apoio da cunicultura brasileira. A RBC está em seu terceiro ano de existência, já tendo apresentado diversos trabalhos e inovações dentre outros assuntos de interesse da cunicultura brasileira. Nesse quinto volume da RBC, continuamos a publicação dos padrões raciais de coelhos, apresentando duas outras raças. Há uma nota técnica elaborada com a colaboração dos setores acadêmicos e produtivo, que trata de um assunto pouco explorado e discutido, o transporte de coelhos para abate. Além disso há trabalhos científicos nas áreas de nutrição, bem estar e curtimento de peles.

Chamamos atenção para a publicação do panorama da granja do Sr. Edson Zambom, que trabalha em sistema de baias. Agradecemos a todos os autores desses trabalhos, que não mediram esforços para pesquisas melhorias na atividade produtiva dessa importante espécie animal. Esperamos que todas as informações apresentadas neste volume sejam de grande valia para todos os interessados.

Luiz Carlos Machado
Coordenador da Equipe Editorial
Presidente da ACBC

 

2) Nota técnica

Nota Técnica: Transporte de coelhos aos frigoríficos

Por: Yuri De Gennaro Jaruche, Luiz Carlos Machado, Marcos Ferreira Kac
Essa nota técnica está disponível em PDF: clique aqui.


Essa nota técnica visa responder as principais dúvidas que surgem no momento do envio
dos coelhos para abate e qual o melhor peso para engorda. Foi elaborada em forma de pergunta-resposta,
visando-se a apresentação do assunto em forma didática.

Os consumidores brasileiros exigem qual tipo de carcaça de coelhos?
Ainda que as exigências dos consumidores brasileiros variem quanto ao peso da carcaça dos
coelhos, a maioria busca carcaças mais pesadas, entre 2,0 e 2,5 kg ao invés dos 1,6 e 1,9Kg. O
brasileiro prefere carcaças maiores por causa dos rendimentos, porém, dão preferência aos cortes
comerciais por diminuírem o tempo empreendido no cozinhar e direcionar melhor os pratos.

Os frigoríficos pedem quanto de peso vivo dos coelhos?
Os frigoríficos preferem animais mais pesados, conforme as exigências de mercado, com
pesos entre 2,7 e 2,9Kg. Eles argumentam que é necessário 30 dias de gestação da coelha, mais 70
dias de engorda para que os coelhos de abate cheguem próximo à 2,3Kg. Duas semanas a mais, eles
chegam entre 2,7 e 2,9Kg, ou seja, 400–600g de diferença, algo em torno de R$2,00–2,50/coelho a
mais. Ainda que os coelhos consigam comer quase o mesmo valor em ração, os frigoríficos atestam
quanto mais valor arrecadado no final do produto, mais os custos são diluídos. A exemplo,
ganhando-se R$13,00 em um coelho ou R$15,00 no mesmo animal, mesmo que ele coma quase os
R$ 2,00 da diferença, o cunicultor receberá mais por diluir melhor seus custos fixos.

As pesquisas indicam qual peso que os coelhos deveriam ter para máximo lucro do cunicultor?
Conforme a curva de crescimento dos coelhos, quando estes chegam próximo a 2,5kg, para
ganharem mais peso, irão consumir mais ração e ganhar menos peso. As pesquisas afirmam que a
conversão alimentar desses animais não é vantajosa para os cunicultores. Os experimentos
propõem 2,00-2,3Kg de peso vivo porque está próximo ao ponto de máximo da curva. Em outras
palavras, a partir de 2,3Kg aos 70 dias, o coelho come mais e engorda menos. Além disso, uma
carcaça de coelho aos 90 dias de idade possui mais gordura, diferindo do que o consumidor
brasileiro procura ao comprar carne de coelho. O mercado acaba regulando essas exigências. Os
pesquisadores acreditam que o peso ideal, associando custos e benefícios, esteja próximo a 2,5kg.

Antes do transporte dos coelhos, quais as recomendações que devem ser seguidas?
Ø Água: Os animais devem ter ingerido bastante água para não sofrerem com a sede e diminuir a
possibilidade de morte por desidratação no trajeto;
Ø Jejum: Cumprimento de 10 horas de jejum pré-abate, sendo que o tempo durante o transporte
conta. Por exemplo, caso viaje apenas uma hora, precisa cumprir seis horas de jejum na
propriedade e mais três horas de descanso no frigorífico antes de serem abatidos. Esse jejum é
para deixar o trato digestivo o mais vazio possível, para quando executar a evisceração, diminuir
o risco de romper o estômago ou os intestinos e contaminar a carcaça com bolo alimentar ou
fezes, o que é passível de condenação parcial ou total da carcaça, conforme nível de
contaminação;
Ø Atestados: A exigência para exportação é exigida para todos os animais recebidos devem vir
com um atestado sanitário, dizendo que além de estarem sadios e não terem tomado nenhuma
medicação dentro do período de carência de cada um, ainda cumpriram o jejum pré-abate;
Ø Gaiolas: As gaiolas de transporte devem estar em acordo com as necessidades dos coelhos,
dando preferência às gaiolas convencionais de transporte de aves (por serem de plástico são
fáceis de serem lavadas com água, sabão e desinfetantes, o piso inteiriço não machuca as patas
dos animais e possibilita colocar um grande número de animais), apesar de poder usar as
próprias gaiolas de ferro ou caixas de madeira;
Ø Contenção: Não se deve segurar os animais na pele do dorso para evitar que as carcaças fiquem
marcadas pelo rompimento dos pequenos vasos sanguíneos. Devem ser contidos conforme
recomendação técnica e sempre de forma calma, tranquila e com segurança;
Ø Horário: As melhores horas são no início da manhã ou no final da tarde, pois nesses horários a
intensidade de radiação solar está bem mais amena. Os horários entre 11:00hs e 15:00hs estão
consagrados com grande intensidade solar, prejudicando a troca de calor dos animais com o
ambiente, predispondo os animais à morte súbita por excesso de calor;
Ø Tempo: Preferível levar os animais fora das épocas de chuva para não prejudicar os animais.

Além do frete, quais as outras preocupações ao transportar os coelhos?
O cunicultor deve-se preocupar em conhecer o caminhoneiro, seu caminhão e o valor do
transporte (este deve ser combinado antes). É necessário expedir o guia de transporte animal (GTA)
e possuir as caixas para transporte. Importante salientar que alguns estados cobram impostos para
abater coelhos, a exemplo do Estado de Minas Gerais (MG).

O máximo de coelhos que podem ser colocados numa mesma gaiola seria quanto?
Doze coelhos em distancias curtas, dez em distância mais longas e nove ou oito em longas
distâncias. Pede-se, em todos esses casos, prudência e bom censo de cada cunicultor.
As gaiolas de transporte, os cunicultores devem adquirir ou o frigorífico disponibiliza?
São de responsabilidade dos cunicultores. Caso os frigoríficos emprestassem, o custo de
abate seria ainda maior e seria muito difícil atentar-se à planilha de devoluções.

O principal meio de transporte e veicular para levarem os coelhos, quais seriam?
O transporte rodoviário feito por caminhões ainda é o principal meio de transporte para
levarem coelhos até os frigoríficos, assim como ocorre com a maioria das outras criações.
Os caminhoneiros cobram quanto e de que forma?
Os caminhoneiros cobram entre R$1,00 e R$1,50 o quilometro rodado, ida e volta, mesmo
que retornem vazios. Alguns caminhoneiros cobram valor fechado, ou seja, o valor da ida é o
mesmo valor da volta, enquanto outros cobram valor aberto, um preço maior na ida e menor na
volta, mas, de uma maneira geral, são equivalentes. É recomendado que o cunicultor procure os
caminhoneiros de sua cidade e verifique outras possibilidades.

Para compensar o transporte, qual o número mínimo de coelhos a serem abatidos?
É fundamental que se envie pelo menos um coelho para cada quilometro rodado,
considerando o trajeto de ida e volta, porque cerca de 10% do valor recebido será destinado para
pagar o transporte.
Existe uma carga máxima de gaiolas a serem empilhadas uma acima da outra?
Não, mas recomenda-se prudência, pois dependendo da velocidade nas curvaturas é capaz
das grandes pilhas seguirem a tangente. O transporte deve ser feito principalmente à noite, por ser
horário de menor temperatura ambiente.

Existe um espaçamento mínimo entre as gaiolas de transporte?
Ao transportar três fileiras de caixas deve haver um espaçamento entre 10 e 15cm entre
elas, para ventilar as caixas da fileira central, da mesma forma que fazem com frangos. O ideal é
parar o caminhão o mínimo possível, para não parar a ventilação. Ao transportas apenas duas
fileiras, não há necessidade.

Deve-se proteger as gaiolas com algum tipo de cobertura?
Não se encobre com lona nem nada do gênero. Quando se chove, são transportados assim
mesmo, sem problemas, pois os pelos dos animais além da alta densidade, possuem certa
oleosidade que dificulta a penetração das gotas de chuva à pele. Ao chegarem no abatedouro são
rapidamente transportados e abatidos.

Os animais podem ser levados soltos na caçamba de um carro com carroceria ou caminhoneta?
Caso opine por viajar com os coelhos soltos, há necessidade de colocar divisórias. Com 60
coelhos soltos na caçamba, por exemplo, dividir pelo menos em quatro partes, sendo que cada
parte irá ter quinze coelhos, senão, conforme o carro ou caminhoneta for movimentando-se e
frenando, todos os animais irão sendo empurrados para frente. Instintivamente, eles procurando
buracos, acabam embaixo uns dos outros, podendo morrer sufocados.

Quando o caminhão chega ao frigorífico, qual o procedimento adotado com relação aos coelhos?
Primeiro são realocados nas caixas do frigorífico, pesados na frente da pessoa que está
levando (responsável pelos animais) e ela sai com um recibo do peso e do valor que será
depositado. Depois os animais vão para a sala de abate, onde devem cumprir pelo menos três
horas de descanso para serem abatidos. Nessa troca de caixa, observa-se os animais para verificar
algum morto ou muito debilitado. Os mortos vão para necropsia e depois para o forno crematório.
Os muito debilitados não são comprados, ou manda-se de volta ou sacrifica-os. Por fim a inspeção,
propriamente dita, é feita na hora da insensibilização e pendura.

O prejuízo sobre a taxa de mortalidade recai sobre quem?
Ainda que o cunicultor assuma o prejuízo sobre a mortalidade de coelhos no transporte, a
sua taxa é mínima. A taxa de mortalidade é de um ou dois animais a cada mil animais transportados
(0,1 a 0,2%), mesmo vindo 10, 11 ou 12 animais por caixa.

Os coelhos perdem quanto de peso ao serem transportados?
Deve-se chamar atenção ao fato de que todos os animais perdem peso durante uma
viagem, seja ela curta ou longa. Essa perda de peso fica entre: 3 e 5% em viagens com menos de
400Km; 6 e 7% em viagens próxima à 500-600km; 8 e 9% quando for percorrido 700-900Km; 10 e
11% nas distâncias de 1000-1100km ou 12 e 13% em viagens de 1.200km. Essa perda de peso deve
ser considerada pelo cunicultor, pois os frigoríficos pagam pelo peso vivo e quanto maior for a
perda de peso, menor é o valor pago. São apenas estimativas que variam conforme o tipo de
transporte, condições climáticas e tempo, entre outros.

3) Padrões Raciais

MATERIAL ELABORADO A PARTIR DA COLABORAÇÃO DE

FELIPE NORBERTO MARTINS - ZOOTECNISTA, DOUTORANDO EM ZOOTECNIA PELA UFMG
IRANY SOLLA ZOLIN - MÉDICO VETERINÁRIO, ASSOCIAÇÃO SUL RIOGRANDENSE DE CUNICULTORES
LUIZ CARLOS MACHADO - ZOOTECNISTA, PROFESSOR DO IFMG CAMPUS BAMBUÍ
MAÍSA MELO HÉKER - ZOOTECNISTA, DOUTORANDA EM ZOOTECNIA PELA UNESP
WALTER MOTTA FERREIRA  ZOOTECNISTA, PROFESSOR DA EV-UFMG
YURI GENARO JARUCHE - ZOOTECNISTA, MESTRANDO EM ZOOTECNIA PELA UEM

GIGANTE DE FLANDRES - Branco, Pardo ou Selvagem, Cinza (três tonalidades), Preto, Azul e Fulva.


Origem: Bélgica; Aptidão: usado em cruzamentos de absorção (carne e pele); Pelagem: diversas, dependente das variedades, preferindo-se a pelagem curta e densa; Comprimento do pelo: Curto (1,3 – 2,5cm); Tamanho: gigante; Peso adulto: 7 kg (Macho: 6,5kg e Fêmea: 7,5kg); Cabeça: tamanho regular em proporção ao corpo. O macho apresenta perfil arredondado (encarneirado) e a fêmea perfil afilado (encavalada). Pescoço forte e curto, com papada bem desenvolvida nas fêmeas, mas sem deformação ou pregas; Olhos: acompanham a cor da pelagem; Orelhas: eretas em “V”, com extremidades largas e arredondadas, medindo cerca de 15 a 18cm de comprimento; Tronco: comprido, de forma retangular, baixo, quase tocando o solo com dorso e lombo horizontais e largos. Garupa arredondada e um pouco elevada; Membros: fortes, compridos e vigorosos; Unhas: seguem a pigmentação da pelagem; Cauda: longa, larga, ereta e bem inserida à garupa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FOTO 1 – Coelho da raça Gigante de Flandres                                 FOTO 2 – Coelha da raça Gigante de Flandres
FONTE – http://coelhoslagoafunda.blogspot.com.br FONTE – http://coelhoslagoafunda.blogspot.com.br

 

Histórico
Originária da Bélgica, na região de Flandres, a raça foi obtida por meio de coelhos comuns de grande porte, onde sua seleção sistemática fez com que atingissem um elevado padrão corporal. São criadas em grande escala na Bélgica e em muitos países europeus e os poucos registros da formação da raça datam do século XVI, o que demonstra sua antiguidade.

Características e índices zootécnicos
Raça de tamanho gigante, mas com crescimento lento. Sua fecundidade pode ser considerada boa, com seis a dez láparos por ninhada, mas a maioria das fêmeas não ultrapassa a média de sete láparos. O Gigante de Flandres não pode ser considerado um animal rústico, sendo que umidade alta, corrente de ar frequente e altas temperaturas são prejudiciais, principalmente aos jovens, por isso as instalações devem ser adequadas para abrigá-los das intempéries. Sua pele grande, uniformemente revestida e densa, é ótima para o curtimento, embora, não sejam da mesma qualidade das obtidas com as raças médias e pequenas e especializadas. Atingem boa cotação no mercado, devido ao seu grande tamanho. Considerando à sua baixa rusticidade, esta raça é mais exigente quanto ao manejo e alimentação, em especial o tamanho das gaiolas e o tipo de piso das mesmas, sendo comum problemas de calos nas patas. Apesar dessas limitações, são usados em cruzamentos com outras raças, pois propiciam descendentes de ótimo peso e tamanho. Produz carne abundante e de boa qualidade, embora algo inferior à das raças médias.

Desclassificações
Ausência de um ou mais membros ou órgãos do corpo; doenças clínicas ou subclínicas; anomalias; cegueira, surdez e/ou paralisia, sejam elas totais ou parciais; prognatismo, retrognatismo ou desvio lateral da mandíbula; peso fora do mínimo e do máximo permitido; orelha(s) torta(s), caída(s) ou desproporcionais ao corpo; ausência pontual de pelos; olhos e unhas que não acompanham a coloração da pelagem. Manchas na pelagem que não seguem o padrão de homogeneidade da capa.

Curiosidades
· É uma das raças que atinge o maior tamanho e comprimento corporal;
· Vários exemplares podem medir 1m de comprimento e pesar mais de 10 quilos;
· Cosmopolita, entra na formação de todas as raças de coelhos gigantes conhecidas;
· Criado principalmente na Bélgica, França, Alemanha, Holanda, Inglaterra e EUA;
· Para que os coelhos atinjam o máximo de desenvolvimento é necessária uma alimentação adequada e ajustada às suas necessidades específicas;
· Embora não sejam prolíficas como as raças médias, as coelhas Gigantes de Flandres são ótimas criadeiras;

 

CHINCHILA (Standard, Americana e Gigante)

Origem: França; Aptidão: Pele e Carne; Pelagem: Chinchila (dentro das pelagens “fusionadas”). Constituído de três cores, tendo a base acinzentada, o meio do pelo branco e a ponta preta, criando um conjunto cinzento, mais claro ou mais escuro conforme a variação fenotípica. Orelhas com bordas de coloração preta. Ao redor dos olhos, os flancos, o ventre e a parte inferior da cauda são cinza claros. Parte superior da cauda é preta. Nunca devem apresentar uma cunha nítida de coloração cinza clara, sempre devendo ser curta de preferência, não devendo ultrapassar as espátulas;
Padrão standart: Comprimento do pelo: Médio (Comp. 2,5 – 3,0cm); Tamanho: Médio; Peso adulto: 4,5Kg [(Macho: 4,2Kg &Fêmea: 4,7Kg), (Mín.: 4,0Kg & Máx.:5,0Kg)]; Cabeça: De tamanho regular em proporção ao corpo, tendo perfil arredondado o macho e afilado a fêmea; Olhos: Castanhos, dando-se a preferência ao castanho escuro; Orelhas: Médias, eretas em V, apresentando, na porção terminal da borda anterior, uma ligeira depressão, ocasionando um leve caimento para trás. Comp. 12cm/ Tronco: Cilíndrico, lombo bem desenvolvido; Membros: São mais fortes no macho, tendo os quartos posteriores arredondados, com musculatura bem desenvolvida; Unhas: Escuras; Cauda: Inserção vertical.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FOTO 1 – Coelho da raça Chinchila                                                        FOTO 2 – Coelha da raça Chinchila
FONTE – http://www.coelhoecia.com.br FONTE – http://www.coelhoecia.com.br

 

Histórico
Foi uma das primeiras raças a ter importância entre os coelhos destinados primordialmente à produção de pele. Surgiu na França na primeira década do século XX e tem seu nome em função da semelhança de pelagem com o roedor andino Chinchila lanígera. A raça foi desenvolvida utilizando coelhos Himalaias, Beverens e coelhos de pelagem selvagem, tendo sido exibida pela primeira vez no país de origem em 1913. No ano seguinte, foram mostrados em um evento internacional de Paris, atraindo muito interesse entre criadores, tornando-se rapidamente uma raça comercial muito bem sucedida, não apenas pela semelhança da pelagem da chinchilla, mas porque seu casaco amadurecia muito mais rapidamente que outras raças de coelhos. Chegaram na Grã-Bretanha em 1915 e nos Estados Unidos em 1919, onde variedades e outras raças derivadas de maior porte foram desenvolvidas, como a Americana e a Gigante, sendo a raça original conhecida como Chinchila Padrão. É considerada uma raça relativamente nova e nenhuma outra se disseminou tão rapidamente por todo o mundo.

Características e índices zootécnicos
Sua pelagem é fusionada (apresenta pelos com três cores: preta, cinza e branca) e, por isso, sua pele é considerada uma das mais diferenciadas. A cor da pelagem na base deve ser ardósia azul tendendo a cinza pérola na porção média assumindo menor proporção, aparentando ao sopro nuances brancas e pretas, podendo ser de aparência ondulada, arredondada ou lisa. Flancos e peito são mais claros que a capa. O pescoço tem a mesma cor que o redor dos olhos e mais claro que o peito e o costado. Orelhas se mesclam com a coloração preta. Possui íris acinzentadas. Ventre e cauda inferior são brancos ou cinza pálido.
É uma raça de médio porte, muito rústica, bem adaptada às condições brasileiras, prolífera e com qualidade de carne excelente. Não é recomendável cruzá-la com outras raças quando se vende a pele como primeira opção, pois a pelagem chinchila se altera e seu valor comercial decai. Recomenda-se selecionar, dentro da raça, animais de maior porte como machos reprodutores ao invés de cruzá-la com outras raças. Devem ser abatidos com mais de quatro meses de idade para produção de peles e certamente fora do período da muda. Quando destinada para produção de carne, pode-se usar  cruzamentos com  raças de porte semelhante ou maiores.

Desclassificações
Ausência de um ou mais membros ou órgãos do corpo; doenças clínicas ou subclínicas; anomalias; cegueira, surdez e/ou paralisia, sejam elas totais ou parciais; prognatismo, retrognatismo ou desvio lateral da mandíbula; peso fora do mínimo e do máximo permitido; orelha(s) torta(s), caída(s) ou desproporcionais ao corpo; ausência pontual de pelos; olhos e unhas que não acompanham a coloração da pelagem; não formar anéis tricolores quando o pelo é assoprado perpendicularmente; avanços significativos da coloração na região ventral.

Curiosidades
Há a crença de uma marca de qualidade referida a uma pequena área de pelos diferenciados atrás das orelhas com coloração mais clara. Porém, isto nunca foi comprovado.


4) Relato de caso I - Projeto Piloto: Quais das seis soluções curtentes de membros de coelhos são eficientes e qual é a mais econômica?

Para baixar esse trabalho em PDF clique aqui

 

RELATO DE CASO - Projeto piloto: Quais das seis soluções curtentes de membros de coelhos são eficientes e qual é a mais econômica?

CASE REPORT - Pilot project: Which of the six tanning solutions of rabbits members are effective and which is the most economical?

REPORTE DE CASO - Proyecto piloto: Cuales de las seis soluciones de curtir miembros de conejos son eficientes y cual es la más economica?

 

Yuri De Gennaro Jaruche1; Lais Trindade de Castro Ornelas2; Ariane Mariner de Caldas Rosa2; Raphael Nogueira Bahiense2; Carlos Renato Viegas3;

Daniel Emygdio de Faria Filho4

 

1Zootecnista (UFMG), Mestrando em Produção Animal (UEM). Ênfase em Cunicultura e Secretário da ACBC. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

2Estudante de Zootecnia (UFMG).

3Zootecnista (UFMG), Mestrando em Produção e Nutrição de Ruminantes (UNESP). Ênfase em Alimentação e Nutrição de Caprinos e Ovinos.

4Zootecnista, Mestre e Doutor (UNESP) em Zootecnia. Professor Titular da USP. Linha de pesquisa: Alimentação, Produção e Formulação de Rações para Não-Ruminantes.




RESUMO

Objetivaram-se com este trabalho identificar as soluções curtentes de membros mais eficazes e a mais econômica. O experimento foi realizado no galpão de frangos de corte do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG. Utilizaram-se seis tratamentos: I) formol puro; II) formol puro com 25g de sal; III) 60% de formol e 40% de água; IV) 60% de formol, 40% de água com 25g de sal; V) água hipersaturada de sal e VI) solução caseira de peles. Coletaram-se 24 orelhas, 48patas e 12 caudas, todos frescos após o abate de 12 coelhos mestiços em crescimento. Os membros foram lavados, secados e alocados em recipientes idênticos de plásticos de 50ml. Cada recipiente continha uma orelha, uma pata dianteira, uma pata traseira e uma ou nenhuma cauda. Cada solução foi despejada em quatro deles. Depois de fechados, durante uma semana, todos foram agitados manualmente por dez vezes durante duas vezes ao dia. Depois dos membros secos à sombra em temperatura ambiente, vedou-os em sacolas por seis meses. Após esse período observaram-se o estado de conservação dos membros. III curtiu pouco enquanto V e VI nada. Conclui-se que as soluções mais eficazes foram I, II e IV, sendo a última mais econômica.

Palavras-chave: Amuletos. Cunicultura. Subprodutos. Renda complementar.

 

ABSTRACT

The objectives of this study were to identify the tanning solutions of members more efficient and more economical. The experiment was carried out in the shed of broiler sat the Instituto de Ciências Agrárias at UFMG. Six solutions were used: I) pure formaldehyde; II) pure formaldehyde with 25 g salt; III) 60% formaldehyde and 40% water; IV) 60% formaldehyde and 40% water with 25 g salt, V)  over saturated salt water and VI) homem adesolution fur. Used 24 ears, 48 paws 12 tails, all fresh after slaughter from 12 cross bred growing rabbits. The members were washed, dried and placed in identical containers plastic of 50ml. Each container contained one ear, one foreleg, one hind leg and one or no tail. Each solution was poured into four of them. After closed for one week, all were manually shaken ten times for twice a day. The members was dried in the shade in ambient temperature and subsequently was stored them in sealed bags for six months. After this period we observed the conservation status of the members. III tanning not much while the solutions V and VI nothing. It is concluded that the most effective solutions were I, II and IV, being the last more economical.

Keywords: Byproducts Charms. Rabbit breeding. Supplementary in come.

 

RESUMEN

El experimento se llevó a cabo en el galpón de pollos de engorde en el Instituto de Ciencias Agrícolas, la UFMG. Seis soluciones fueron probados: I) formaldehído puro; II) formaldehído con 25g de sal puro; III) 60% de formaldehído y 40% de agua; IV) 60% de formaldehído, 40% de agua con 25 g de sal, V) agua saturada de sal y VI) solucion casera de piel. Hemos utilizado 24 orejas, 48 colas y 12 pies, todo fresco después de la masacre de 11 conejos mestizos em crecimiento. Los miembros se lavaron, se secaron y se colocaron en recipientes idênticos, plástico 50ml. Cada recipiente contenía una oreja, uma pata delantera, una pata trasera y una o ninguna la cola. Cada solución se vertió en dos. Después de cerrada durante una semana, todo se agita a mano diez veces por dos veces al día. Después de los miembros de la sombra se seca a temperatura ambiente, lo salmacena en bolsas selladas para seis meses. Después de este período se observo el estado de conservación de los miembros. III ay curtido poco mientras V y VI nada. Se concluye que las soluciones más efectivas fueron I, II y IV, el último es más económico.

Palabras clave: Amuletos. Cunicultura. Derivados. Complementaria de ingresos.

 

INTRODUÇÃO

Por definição, cunicultura é o ramo da Zootecnia que trata da criação produtiva, racional e econômica do coelho doméstico (informação verbal)¹. De acordo com os objetivos da criação pode ser direcionada para carne, pele, pelos, genética e melhoramento genético, animais de laboratórios ou animais de companhia (SOUZA; SOUZA; FARIA, 2007). Oferece ainda diversos sub e coprodutos como o couro, o sangue, o cérebro, as fezes, a urina e ainda as orelhas, as patas e a cauda (SCAPINELLO, 1986; SOUZA; SOUZA; FARIA, 2007).

Praticamente, tudo gerado pela cunicultura tem possibilidade de aproveitamento, porém, em várias regiões brasileiras muitos desses sub e coprodutos são de difícil comercialização, não somente pela inexistência de documentos informativos ou sugestões de valores praticados na exploração cunícola (MACHADO, 2011), mas também a baixa quantidade de artigos nacionais em cunicultura (JARUCHE; FARIA FILHO, 2011) e os temas de estudo pouco explorados (FERREIRA et al., 2006b).

Sabe-se que o valor médio pago aos criadores de coelhos de corte pelos frigoríficos nacionais é de R$4,90 por quilograma (Kg) de coelho vivo e a média de peso para o abate no Brasil é de 2,5Kg (MACHADO, 2011). Dessa maneira, o produtor recebe, em média, R$12,25 por animal vivo. Um único chaveiro de coelho, pata ou cauda, pode ser vendido entre R$2,50 e R$3,00 (MACHADO, 2011). Tendo o coelho quatro patas e uma cauda, podem ser confeccionados no total cinco chaveiros de cada animal, perfazendo um montante entre R$12,50 e R$15,00, somente com a comercialização desses amuletos, ou seja, mais do que a venda total de um coelho vivo para o frigorífico. Por isso, o artesanato dos membros de coelhos é uma excelente fonte de renda para os cunicultores que consigam comercializar esse tipo de produto.

Contudo, os estudos acerca do curtimento de membros de coelhos, tanto a nível nacional como internacional, são escassos. Sendo assim, os objetivos com este trabalho foram identificar as soluções curtentes de membros mais eficazes e a mais econômica.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no galpão de frangos de corte da Fazenda Experimental Professor Hamilton de Abreu Navarro (FEHAM), situada a uma latitude de 16° 43’ 41’’sul e a uma longitude de 43° 52’ 54’’ oeste, no Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), localizado na cidade de Montes Claros – MG, tendo início no dia 09 de novembro de 2011 e término no dia 09 de maio de 2012.

Foram utilizadas seis soluções curtentes: I) formol puro; II) formol puro com adição de 25g de sal comercial; III)  60% de formol e 40% de água; IV) 60% de formol e 40% de água com adição de 25g de sal comercial; V) água hipersaturada de sal e VI) 93% de água, 4,66% de pedra ume e 2,34% de sal comercial (solução caseira de peles).

Utilizaram-se membros frescos de doze coelhos mestiços não sexados em crescimento: 24 orelhas, 24 patas dianteiras, 24 patas traseiras e 12 caudas. Todos os membros de cada animal foram colocados em uma sacola plástica, identificada e lacrada por amarrio. Depois da coleta, as sacolas foram transportadas para a área de lavagem comum, em frente ao galpão de frangos de corte do ICA – UFMG. Os membros foram lavados com sabão de coco em água corrente, até a retirada completa do sangue nos pelos e na base do corte. Posteriormente secou-os com toalha de pano.

Cada solução foi despejada em dois recipientes idênticos de plásticos de 50ml com tampa em rosca (limpos com água e sabão, secados com papel toalha). Posteriormente, introduziu-se em cada recipiente uma orelha, uma pata dianteira, uma pata traseira, com o corte virado para baixo. A cauda foi introduzida em um dos dois recipientes de mesma solução. Logo em seguida, os recipientes plásticos foram rosqueados com suas respectivas tampas.

Durante uma semana todos os potes permaneceram rosqueados. Agitaram-nos manualmente por dez vezes durante duas vezes ao dia, para as soluções se manterem mais homogêneas durante o período experimental.

Após os sete dias, os potes foram abertos para se retirarem os membros das soluções curtentes, sendo secos à temperatura ambiente, sempre à sombra para não haver interferência dos raios solares na cor e na textura, durante uma semana.

Depois de secos, avaliou-se o estado geral das peças anatômicas: fragrância exalada; aderência dos pelos e das unhas à pele; crescimento de fungos e rigidez das articulações e das cartilagens. Estabeleceu-se cinco parâmetros de qualidade para o aspecto dos membros: excelente, bom, regular, ruim e péssimo. Por fim, calculou-se a quantia de dinheiro, em reais, necessária para obter um litro de cada solução que foi eficaz, considerando o preço mais baixo sendo o mais econômico. Os preços são referentes às notas fiscais de compra pelo ICA/UFMG em de novembro de 2011. Não se calculou os custos da água nas soluções que adicionavam-na.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de eficiência do curtimento encontram-se na tabela um. I e II proporcionaram excelentes estados de conservações; III não curtiu bem as patas traseiras; IV não curtiu bem as orelhas; V e VI não curtiram nenhum dos membros.



Todas as soluções de formaldeído (I, II, III e IV) conservaram totalmente ou parcialmente os membros de coelhos. Os conservadores de peças anatômicas além de não poderem permitir suas deteriorações, devem evitar a proliferação de microrganismos patógenos que podem causar doenças nas pessoas que a manipulam ou adquirem-nas (CORRÊA, 2003). Os mais empregados são a glicerina, o álcool etílico, o fenol e o formaldeído, sendo que este é o fixador e conservante mais utilizado, por ser barato e penetrar rapidamente nos tecidos é amplamente utilizado nos laboratórios de anatomia (RODRIGUES, 1998).

Ambas soluções aquosas sem adição do formaldeído (V e VI) não possibilitaram a conservação de nenhuma parte dos membros de coelhos. Para cessar a deterioração tecidual, as peças anatômicas devem ser fixadas, sendo esse processo extremamente importante, pois mantém os tecidos firmes, insolúveis e protegidos (RODRIGUES, 1998). A água, por hidratar os tecidos, mantém um ambiente favorável à proliferação da microbiota saprófita. Esta, por sua vez, deteriora a matéria orgânica em contato, sendo essa a causa mais provável das soluções V e VI não terem curtido as peças.

Comparando-se I com II e III com IV, nota-se que o cloreto de sódio comercial influenciou os resultados obtidos. I e II são as mesmas soluções, mas II contêm adição de sal. Idem quanto III e IV. Espera-se que o sal desidrate todos os tecidos orgânicos, diminuindo ou cessando a atividade da água presente nas peças anatômicas e, consecutivamente, retardasse o crescimento da microbiota saprófita, evitando-se a deteriorização tecidual (BRUN et al., 2002 e BRUN et al., 2004), mantendo íntegra as extremidades dos animais cunícolas. Observa-se que a adição de sal comercial não influenciou a ação curtente do formol puro pela comparação de I com II. Mas ao diluí-lo em água, sem o acréscimo de sal, os membros perdem sua excelência de curtimento, como mostra a comparação entre III e IV.

A solução hipersaturada de sal possui propriedades anti-sépticas, pausando o crescimento de microorganismos em muitas peças anatômicas (BRUN et al., 2002 e BRUN et al., 2004). A diminuição da atividade de água é uma das causas da ação antibacteriana e antifúngica. Porém, não foi constatado, neste trabalho, resultados positivos quanto ao curtimento dos membros de coelhos, provavelmente por esta solução não possuir nenhum outro agente curtente além do sal. Outros estudos, com diferentes concentrações de sal na água devem ser realizados para melhor explicar o efeito de osmose em tecidos interligados.

A solução caseira de peles de coelhos não curtiu de forma adequada nenhum dos membros, provavelmente, pelo excesso de água, 93% de sua composição total, hidratando os tecidos ao invés de desidratá-los, ocorrendo a mesma proliferação da microbiota saprófita, deteriorando os tecidos e impossibilitando o processo de curtimento.

Calculou-se apenas os custos das soluções I, II e IV, por serem as únicas que curtiram satisfatoriamente as patas dos coelhos, produtos plausíveis de confecção de amuletos e, consecutivamente, comercialização. Pagou-se por um litro de formaldeído R$20,00 e um quilograma de sal comercial R$0,60. Os custos das soluções I (formol puro), II(formol puro com adição de 25g de sal comercial) e IV(60% de formol e 40% de água com adição de 25g de sal comercial) foram R$20,00/L, R$20,30/L e R$12,30/L respectivamente, sendo a última solução considerada a mais econômica por apresentar o menor dos custos.

 

CONCLUSÃO

As soluções curtentes de membros de coelhos mais eficientes foram as com formol, puro ou diluído em água acrescida de sal, sendo que a mais econômica é a solução de formol com máxima diluição em água possível acrescida de sal, neste caso, 60% de formol e 40% de água com 25g de sal.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRUN, M.V.; PIPPI, N.L.; DREIMEIER, D.; CONTESINI, E.A.; BECK, C.A.C.;CUNHA, O.; PINTO FILHO, S.T.L.; ROEHSIG, C.; STEDILE, R.; SILVA, T.F. Solução hipersaturada de sal ou de glicerina a 98% como conservantes de centros frênicos caninos utilizados na reparação de defeitos musculares em ratos Wistar. Ciência Rural, Santa Maria. v. 34. n. 1. 2004.
CORRÊA, W.R. Isolamento e identificação de fungos filamentosos encontrados empeças anatômicas conservadas em solução de formol a 10%.São José dosCampos, 2003. 59 p. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) – Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba, 2003.
FERREIRA, W. M.; FERREIRA, S. R. A.; EULER, A. C. C.; MACHADO, L. C.; OLIVEIRA, C. E. A.; VASCONCELOS, C. H. F. Avanços na nutrição e alimentação de coelhos no Brasil. 2006b. Disponível em: < http://www.abz.org.br/ publicacoes-tecnicas/anais-zootec/palestras/3734-Avanos-Nutrio-Alimentao-Coelhos-Brasil.html >. Acessado em: 26 abril 2010.
JARUCHE,Y.G.;FARIAFILHO,D.E.Revisãosistemáticadaspesquisasbrasileirasemcuniculturaentre1996e2010.CadernodeCiênciasAgráriasdoICA/UFMG,MontesClaros,MG,2011.(Monografia)
MACHADO, L. C. Preços comumente praticados em cunicultura, 2011.
RODRIGUES, H. Técnicas anatômicas. Vitória, ES. 222 p.1998.
SCAPINELLO, C. Atualização em cunicultura. Maringá: Cooperativa Norte Paranaense de Criadores de Coelho Ltda; Coopernorte Coelhos, 1986.
SOUZA, C.; SOUZA, J. C.; FARIA, A. C. Métodos de atribuição de custos conjuntos aplicados à atividade de cunicultura: um estudo de caso. Organizações Rurais & Agroindustriais, Lavras, MG, v.9, n.1, p.98-110, 2007.



5) Relato de caso II - Comportamento materno observado logo após a estimulação tátil dos láparos

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RELATO DE CASO - Comportamento materno observado logo após a estimulação tátil nos láparos

CASE REPORT - Maternal behavior observed immediately after the tactile stimulation on kits

REPORTE DE CASO - Comportamiento maternal observado inmediatamente después de la estimulación táctil

 

Maísa Melo Heker1*, Samuel Wallace Boer dos Santos2, Laura Gonçalves Nasralla2, Gabriele Voltareli da Silva2, Jeffrey Frederico Lui3

 

1Pós-graduanda em Ciência Animal. Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba. Universidade Estadual Paulista. Araçatuba – SP. Brasil. * Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

2Graduandos em Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal. Universidade Estadual Paulista. Jaboticabal – SP. Brasil.

3Departamento de Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal. Universidade Estadual Paulista. Jaboticabal – SP. Brasil.




 

RESUMO

Os estudos na área de comportamento e bem-estar de coelhos ainda são escassos no Brasil, sendo de grande importância para compreensão de sua biologia, manejos adequados e resolução de problemas encontrados nas criações comerciais. Este trabalho demonstra como a manipulação de filhotes pode influenciar no cuidado materno. Os láparos de 20 matrizes foram estimulados em diferentes idades durante a lactação e observado a reação dessas matrizes após os estímulos. Foi verificado a latência para primeira aproximação, tempo que ficou cheirando os filhotes e tempo que permaneceu dentro no ninho. Manipulando os láparos, a atividade materna pode ser modificada indicando preocupação, curiosidade ou mesmo instinto de sobrevivência demonstrado na segunda amamentação por algumas matrizes.

Palavras-chave: coelhos, estímulo, observação

 

ABSTRACT

The studies on behavior and welfare of rabbits are still scarce in Brazil, its of great importance for understanding their biology, appropriate handling and resolution of problems encountered in commercial flocks. This work demonstrates how the manipulation of kits may influence maternal care. The young rabbits of 20 does were stimulated at different ages during lactation and observed the reaction of these does after the stimuli. Latency to first approach, time was sniffing kits and duration spent inside the nest was found. With manipulating the offspring, maternal activity can be modified indicating concern, curiosity or even survival instinct shown in the second nursing for some does.

Keywords:, observation, rabbits, stimulus

 

RESUMEN

Los estudios sobre el comportamiento y el bienestar de los conejos son todavía escasos en Brasil, es de gran importancia para la comprensión de su biología, manejo y resolución adecuada de los problemas encontrados en las aves comerciales. Este trabajo demuestra cómo la manipulación de las crías puede influir en la atención materna. Los conejos jóvenes de 20 matrices fueron estimuladas a diferentes edades durante la lactancia y observaron la reacción de estas matrices después de los estímulos. La latencia al primer enfoque, el tiempo estaba olfateando y duración gastados dentro del nido fue encontrado. Con la manipulación de los hijos, la actividad de la madre se puede modificar lo que indica la preocupación, la curiosidad o incluso el instinto de supervivencia se muestra en la segunda lactancia para algunas madres.

Palabras clave: conejos, estimulo, observación

 

INTRODUÇÃO

Entre todos os mamíferos, os coelhos excepcionalmente apresentam um limitado padrão de cuidado materno, amamentando seus filhotes uma vez ao dia por 3 a 4 minutos apenas (Zarrow et al., 1965; García-DalmánGonzález-Mariscal, 2012). Coelhos são animais de fuga e muito predados (Hudson & Distel, 1982), dessa forma quanto menos tempo a mãe permanecer no ninho, menor a chance dos predadores a capturarem e encontrar seus filhotes (Zarrow et al., 1965). Esse comportamento de presa é visto tanto em coelhos selvagens (Mykytowycz, 1968) como coelhos domesticados (Deutsch, 1957), sugerindo que a domesticação não afetou o repertório materno (Kraft, 1979). O homem é considerado um predador por animais adultos (Suarez & Gallup, 1982) resultando em medo dependendo do manejo empregado.

O emprego de manipulações positivas como carinho, verificação de ninho cauteloso não estressando os filhotes durante a fase de aleitamento altera sua relação com o homem, reduzindo medo (Bilkó & Altbäcker, 2000), melhorando aprendizado e diminuindo a mortalidade (Jesierski & Konecka, 1996). Muitos trabalhos demonstram os efeitos das manipulações positivas nos láparos, porém não verificaram o comportamento materno. O trabalho objetivou demonstrar a reação materna após a estimulação tátil dos láparos em diferentes idades ao longo da lactação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi desenvolvido no Setor de Cunicultura do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Unesp Campus Jaboticabal, São Paulo, Brasil. A ração utilizada era comercial peletizada (Linha do Campo Coelhos, Presence®), fornecida diariamente em comedouros semi-automáticos e água ad libitum. Os animais foram alojados em gaiolas suspensas de arame galvanizado (80x60x40 cm – 4800cm2) em galpão semi-aberto com orientação leste-oeste.

A reprodução foi realizada utilizando 20 matrizes do grupo genético Botucatu (MOURA, 2001), acasaladas com machos de mesma linhagem e separadas em quatro tratamentos. Logo após o nascimento as ninhadas foram colocadas em uma caixa e distribuídas aleatoriamente em números iguais entre as lactantes (FLEISCHHANER et al., 1985; POIGNER et al., 2000). Cada matriz teve acesso livre ao ninho durante toda a lactação.  A partir do nascimento dos láparos e após o nivelamento das ninhadas, estes passaram a ser estimulados diariamente a partir das 18h00 durante três minutos e individualmente de acordo com cada tratamento. Os animais foram divididos em quatro tratamentos, sendo: T1-30: estímulo do primeiro dia de nascimento até 30 dias de vida. T1-10: estímulo do primeiro dia de nascimento até o 10° dia de vida (momento de início da abertura dos olhos. T10-20: estímulo dos 10 dias de idade até os 20 dias de idade (momento que se inicia a ingestão de alimento sólido. T20-30: estímulo dos 20 aos 30 dias de vida. A estimulação tátil consistiu em retirar o ninho da gaiola, conter cada láparo individualmente com uma das mãos e com a outra acariciar seu dorso, com movimentos suaves e repetitivos (CABRAL, 2003). Após a estimulação do último filhote o ninho foi colocado novamente na gaiola e observado o comportamento das matrizes durante 3 minutos, cronometrando o tempo para se aproximarem do ninho, o tempo que ficaram cheirando os láparos e o tempo de permanência dentro do ninho. Cada observação das matrizes seguiu o período de estimulação de cada tratamento. Os ninhos foram retirados permanentemente das gaiolas aos 23 dias de idade dos láparos, por este motivo a observação das matrizes do T20-30 ocorreu até esta idade e não até os 30 dias de idade, pois a partir dessa idade a matriz não apresentou interesse no láparo que foi estimulado por estarem maiores e já se alimentando.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A latência indica o tempo que as matrizes demoraram a se aproximar do ninho ou dos láparos logo após a estimulação tátil (figura 1). Latências menores indicam maior preocupação ou curiosidade em relação aos láparos. Ao longo do tempo as matrizes do T1-30 continuaram se aproximando perdendo o interesse ou curiosidade apenas após 21 dias de estimulação. As matrizes do T1-10 tiveram aproximações rápidas demonstrando menor interesse no 10º dia. Matrizes do T10-20 e do T20-30 apresentaram curiosidade ou preocupação com seus láparos mesmo estes estando mais velhos, porém com latências mais altas que do T1-30 e T1-10. Latências de 180 segundos indicam que as fêmeas não se aproximaram dos filhotes.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim como o tempo para se aproximar dos filhotes, o tempo que as matrizes passaram cheirando os láparos mostra o quanto se preocupam e estão curiosas com o que possa ter acontecido através do cheiro humano presente neles (figura 2). Nenhuma mãe atacou seus filhotes e foi percebido que o cheiro humano que elas encontravam nos láparos, deixou as matrizes menos arredias nos manejos diários devido ao costume com esse cheiro. Fato que diminui o estresse das matrizes e dos láparos em relação aos humanos. Essa diminuição do estresse se torna importante ao longo do crescimento dos filhotes e na vida adulta evitando problemas de manejo quanto a ataques resultantes em mordidas e arranhões. Com a figura 2, é possível notar que independente da idade do láparo, as matrizes passaram um tempo razoável cheirando os mesmos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algumas matrizes entraram no ninho após a estimulação dos filhotes e amamentaram os mesmos novamente. A figura 3 mostra o tempo médio de permanência dentro do ninho ao longo dos tratamentos. Apenas o T20-30 não teve fêmeas que amamentaram seus láparos. As fêmeas do T1-10 permaneceram mais tempo amamentando e por mais dias depois da estimulação.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Três matrizes do T1-30 permaneceram dentro do ninho durante os 3 minutos de observação, nos dias 2, 9 e 23 cada uma. Mesmo as matrizes do T1-30, já estando acostumada com o manejo diário de estimulação em seus láparos, os amamentou novamente no 23º dia de lactação. No T1-10, duas matrizes permaneceram 3 minutos dentro no ninho, sendo uma matriz nos dias 1 e 9, e outra matriz no dia 3. Interessante observar que geralmente existe a impressão que as matrizes de coelhos amamentam seus láparos uma vez ao dia passando o restante das horas sem se importar com eles, porém neste trabalho percebemos que com a manipulação dos filhotes, a atividade materna pode ser modificada no sentido de se importar com o que aconteceu com os láparos e até mesmo amamentando-os novamente pelo instinto de sobrevivência, mesmo que tenham ficado separadas dos mesmos por apenas 3 minutos durante a estimulação. A mortalidade dos filhotes pós-desmame neste trabalho foi de apenas 3,12%, sendo de apenas 3 filhotes num total de 96 desmamados.

 

CONCLUSÕES

Independente da fase de aleitamento em que se encontram os láparos, as matrizes continuam mostrando interesse, preocupação ou curiosidade, porém com diferentes intensidades. Essas observações demonstram que o tipo de manejo para os filhotes, pode influenciar totalmente a reação das matrizes e se for negativo alterar a mortalidade da ninhada ou a relação homem-coelho por toda a vida dificultando manejos diários.

 

AGRADECIMENTOS

Á FAPESP pela bolsa de mestrado processo 2011/04371-8; á FMVZ, UNESP Campus Botucatu pela doação dos animais e á FCAV, UNESP Campus Jaboticabal pelo desenvolvimento do experimento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Cabral, A. 2003. Efeitos do trauma sub-aquático e da estimulação tátil na resposta de exploração do labirinto em cruz elevado em ratos desnutridos. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto. 91 pp.

Bilkó, Á.; Altbäcker, V. Regular handling early in nursing period eliminates fear response toward human beings in wild and domestic rabbits. Dev Psychobiol, v. 36, p. 78-87, 2000.

Deutsch, J.A. Nest building behaviour of domestic rabbits under semi-natural conditions. Brit J Animal Behav, v. 5, p. 53-54, 1957.

Fleichhaner, H.; Schlolaut, W.; Lange, K. Influence of number of teats on rearing performance of rabbits. J Appl Rabbit Res, v. 8, p. 174-176, 1985.

García-Dalman, C.; González-Mariscal, G. Major role of suckling stimulation for inhibition of estrous behaviors in lactating rabbits: Acute and chronic effects. Horm Behav, v. 61, p. 108-113, 2012.

Hudson, R.; Distel, H. The pattern of behaviour of rabbit pups in the nest. Behaviour, v. 79, p. 255-271, 1982.

Jesierski, T.A.; Konecka, A.M. Handling and rearing results in young rabbits. Appl Animal Behav Sci, v. 46, p. 243-250, 1996.

Kraft, R. Vergleichende verhantensstudien an wild- und hauskaninchen. I. Das verhaltensinventar von wild- und hauskaninchen. Zeitschr Tierzücht Züchtungsbiol, v. 95, p. 165-179, 1979.

Moura, A.S.A.M.T.; Costa, A.R.C.; Polastre, R. Variance components and response to selection for reprodutive, litter and growth traits through a multi-purpose index. World Rabbit Sci, v. 9,  n. 2, p.77-86, 2001.

Mykytowycz, R. Territorial marking by rabbits. Sci Amer, v. 218, p. 116-126, 1968.

Poigner, J.; Szendrõ, Z.S.; Lévai, A; Radnai, I.; Biró-Németh, E. Effect of birth weight and litter size on growth and mortality in rabbits. World Rabbit Sci, v. 8, n. 1, p. 17-22, 2000.

Suarez, S.D.; Gallup, G.G.Jr. Open-field behavior in the chicken: The experimenter is a predator. J Comp Physiol Psych, v. 96, p. 432-439, 1982.

Zarrow, M.X.; Denenberg, V.H.; Anderson, W.J. Rabbit: Frequency of suckling in the pups. Science, v. 150, p. 1835-1836, 1965.

 

6) Panorama da cunicultura: Criação de coelhos em baias

Criação de coelhos em baias - Edson Zambom

Sou Cunicultor da cidade de Charqueada-SP. A convite, escrevo aos leitores desta revista, sobre minhas práticas  em criar coelhos, para abate, fora das tradicionais gaiolas.

Optei por esta forma de criação após estudos sobre tal prática, principalmente lendo artigos científicos diversos, como também avaliação das vantagens econômicas.

A ideia é simples : Muita higiene; local disponível e conhecimento da vida e hábito dos cunículos.

Não sou um cientista da área e minha propriedade não é um laboratório de resultados probatórios. Neste texto pretendo apenas relatar minhas experiências práticas, da criação de coelhos em baias coletivas,  fruto de tentativa com erros e acertos.

Construção: Já havia na propriedade, uma série de baias onde se criavam porcos, pequenos recintos de 2m por 2m  com uma parede de aproximadamente, 1m de altura, com reboco simples.

As portas : Trocamos as portas brutas por tabuas cortadas com 60cm de comprimento e 30cm de largura, apoiadas lateralmente por duas madeiras formando um trilho e encaixando uma sobre as outra, permitindo que, tirando algumas tábuas se possa entrar na baia para manejo sem que os animais escapem.


Cama e pintura
: Pintamos com cal brando as paredes e espalhamos um saco de maravalha no fundo, garantindo uma camada de 5 cm entre o piso e as patas dos coelhos.

A água: Partindo de uma caixa simples de descarga doméstica, estendemos canos a todas as baias que receberam dois bicos automáticos, como nas gaiolas, construímos um pequeno cocho abaixo dos fornecedores de água ( como na foto ), para quando o coelho for beber os respingos escorram para fora da baia, evitando a unidade na "cama" de fundo. Dois bebedouros são suficientes, os animas se alternam ficando grande parte do dia livres, e se vier a falha um a sempre opção do segundo, até que se descubra o problema.

Distribuição da alimentação : Quanto à forma para alimenta-los, utilizamos comedores para frangos com capacidade de 10k.cObservamos que 22 animais adultos é o maximo suportável a esta estrutura, pois com tranquilidade o comedor comporta todos juntos a sua volta.

O cronograma: Quando na desmama, observamos a necessidade de colocar na baia, por um período de cinco dias, água em bebedores para pintainhos, até que os pequenos animais se adaptem os bebedouros automáticos.

Sobre a população: como na desmama os animais são pequenos, optamos em alojar 35 coelhos por baia, só reduzimos  para 22 indivíduos após o primeiro mês.

Sobre alimentação: ração a vontade nos dez  primeiros dias e depois reduzimos para 50g diária por coelho até um mês, verde todos os dias onde procuramos variar as plantas. Quando dos trinta dias em diante  aumentamos para 70g por indivíduo de ração e depois para 100g, e outros alimentos verdes variados dia a dia (cana de açúcar rachada ao meio, milho com palha ou não, ramas de mandioca, galhos de mangueira, capim napie, capim , folas de bananeira, rami, etc).

Sobre a higiene : A primeira cama de maravalha, fica por 30 dias e após retiramos os coelhos e removemos com pás e carrinhos a cama que já esta molhada e com muitas fezes e folhas. A cama é então colocada para compostagem. Lava-se o chão com água para retirar os resíduos e com um regador aplicamos no chão limpo assim como nos bebedouro e nas paredes, cloro na proporção de uma colher de granulado por cinco litros de água. Após, deixamos secar de um dia pro outro, quando usamos a vassoura de fogo, mais do que chamuscar, queimamos as parede, e chão e bebedouro e em seguida pintamos novamente com cal o roda pé da parede e espalhamos nova maravalha.

Manejo: No trigésimo dia de uso da baia, também  fazemos aplicação de Ivermectina assim como a sexagem dos animais, separando os machos das fêmeas. Cada baia agora será composta de machos e fêmeas, evitamos assim as brigas, eles convivem bem se desalojados de seus grupos. Isso facilita a escolha de novas matrizes.

Vantagens e desvantagens observadas: Acreditamos que as vantagens são grandes: fácil limpeza, pois não há nada que atrapalhe a operação (remover, lavar e esterilizar ), economia no sistema de água, menos bebedouros, menos instalações, e vazamentos. Facilidade na operação de distribuição de trato, o tempo para alimentar os coelhos é muito inferior às gaiolas, se alimenta na proporção de dez para um tranquilamente. Os comedores estão sempre limpos, baratos são de fácil esterilização, Os animais estão livres dos calos nas patas. Pode-se fornecer coisas maiores para alimentação, como galhos etc., que os coelhos adoram roer. O ambiente é mais frio, pois está próximo ao chão, em nossa região isso importa muito. Os reparos nas instalações são simples e feitos por qualquer pessoa na propriedade, não havendo necessidade de solda etc. Os animais apresentam menos agressividade, acredito, devido ao maior espaço.  Parece estranho tal observação, mas os odores são bem menos  que nos ambientes das gaiolas!

Quanto as desvantagens: 15% do grupo não atinge o peso comum ao resto do grupo; Por serem  mais agitados no espaço ou simplesmente a variação individual. Mesmo aumentado a quantidade de ração o resultado se mantém o mesmo! Quanto a mortalidade, não vejo diferença. No primeiro mês de baia é comum morrer alguns, depois estabiliza . A pelagem dos animais ficam mais sujas, que nas gaiolas, mas isto acontece nas  baias que recebem goteiras etc. Se o grupo demorar a sair, observa-se alguma agressividade entre os machos, contudo basta separar os mais agitados.

Ha sem duvida mais coisas  a dizer mas no momento paramos aqui, se for de interesse, me enviem as dúvidas: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Até Breve

A ACBC agradece a importante colaboração do cunicultor Edson Zambom.

 

7) Artigo científico I - AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO PRODUTIVO DE COELHOS ALIMENTADOS COM DIETA SIMPLIFICADA A BASE DE FENO DE ALFAFA

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8) Artigo de revisão bibliográfica: ADITIVOS MELHORADORES DE FLORA INTESTINAL PARA COELHOS

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9) Resumo de dissertação: ESTIMULAÇÃO TÁTIL EM COELHOS DO GRUPO GENÉTICO BOTUCATU E SEUS EFEITOS NO DESEMPENHO, TEMPERAMENTO E REPRODUÇÃO

Resumo da dissertação de mestrado de Maísa Melo Heker, defendida dia 16 de janeiro de 2013 na Unesp Jaboticabal.

ESTIMULAÇÃO TÁTIL EM COELHOS DO GRUPO GENÉTICO BOTUCATU E SEUS EFEITOS NO DESEMPENHO, TEMPERAMENTO E REPRODUÇÃO

Pesquisas envolvendo lagomorfos vêm sendo realizadas utilizando estímulos a fim de melhorar o temperamento dos coelhos, facilitando o manejo e melhorando o desempenho. O temperamento em animais é um conjunto de comportamentos expressados em relação ao manejo humano. O uso de estimulações positivas podem afetar a cognição, o aprendizado e o comportamento dos animais. Neste trabalho foi proposto utilizar o estimulo tátil em filhotes de coelhos durante a fase de lactação, diariamente, de acordo com cinco tratamentos (estimulação do primeiro dia de nascimento aos 30 dias de idade, do primeiro dia aos 10 dias de vida, dos 10 aos 20 dias de idade, dos 20 aos 30 dias de idade e controle). Para avaliar seus efeitos no desempenho foram realizadas pesagens no primeiro dia pós-parto, aos 30, 45, 60 e 75 dias de idade. Também foram realizadas medidas de temperatura corporal e observação comportamental, registrando a frequência de comportamentos realizados. O temperamento foi avaliado pelos testes de aproximação humana, teste de novo objeto, teste de saída, teste de campo aberto e labirinto em cruz elevado realizados aos 30, 45, 60 e 75 dias de idade. O efeito a longo prazo da estimulação foi avaliado reproduzindo coelhos eu foram estimuladas na lactação. Os parâmetros reprodutivos foram: taxa de concepção (número de coberturas com prenhez / número total de coberturas X 100), início da reprodução (idade que aceitou as coberturas), número de coberturas, duração da gestação em dias, peso à concepção, pós-parto e desmame, tamanho da ninhada, peso médio dos recém-nascidos e desmamados, mortalidade e quantidade de pelos retirados. Coelhos estimulados apresentaram maior peso ao desmame e aos 45 dias de idade, comparados a não estimulados. A temperatura auricular diferiu em algumas idades sendo menor para não estimulados aos 30, 45 e 75 dias de idade, maior nos coelhos estimulados de 1 a 30 dias, ao desmame e aos 45 dias de idade e maior nos coelhos estimulados de 1 a 10 dias aos 75 dias de idade. Coelhos não estimulados passaram mais tempo descansando do que realizando outros comportamentos comparados aos coelhos estimulados. Os animais não estimulados apresentaram altas latências e poucas aproximações, porém em alguns testes essa condição muda ao longo do tempo, com a repetição dos testes frequentemente usados para avaliar coelhos, indicando um processo de habituação ou aprendizado de que os testes não causam perigo. As latências diminuíram com o tempo para coelhos estimulados nos testes de aproximação, novo objeto, saída e para permanência nos braços abertos no teste de labirinto em cruz elevado. Coelhos não estimulados apresentaram altas frequências no escore 1 (aproxima e cheira). Com o teste do labirinto em cruz elevado, usualmente utilizado para ratos, foi possível ter uma melhor avaliação entre estimulados e não estimulados. Não foram encontradas diferenças significativas entre os tratamentos para nenhum parâmetro reprodutivo avaliado, porém existem tendências indicando melhor desempenho reprodutivo em animais estimulados durante toda a lactação.

 

 

Última atualização em Qui, 10 de Agosto de 2017 13:42