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Sex, 13 de Abril de 2012 10:32

Sumário da Revista Brasileira de Cunicultura, n° 01, v.01, Abril de 2012

1) Editorial

2) Relatos de caso: a) Granja animais ornamentais - b) LECIFF

3) Nota técnica: Preços praticados em cunicultura

4) Artigo científico I: Comportamento e desempenho de mini-coelhos fuzzy lop lactentes

5) Artigo Científico II: Efeito da densidade de alojamento sobre a homeostase térmica em coelhas em crescimento mantidas em diferentes temperaturas

6) Artigo de revisão bibliográfica: Atualidades em nutrição de coelhos - 2006 a 2011

7) Teses, dissertações e monografias: Dissertação de Thaís Freitas Marques de Barros

 

1) Editorial

É com imensa satisfação que iniciamos a realização de mais um antigo sonho da cunicultura, a publicação de uma revista brasileira especializada em difundir esta importante atividade produtiva. Inicialmente havíamos pensado em um periódico científico, que publicasse somente trabalhos desenvolvidos nas escolas. Após amplo diálogo, dentro da ACBC, optamos por trabalhar pela elaboração de uma revista de divulgação geral da cunicultura, que enfocasse o mercado, a pesquisa, o ensino, enfim, que contribuísse para divulgação e popularização da cunicultura.

Há mais de dois anos, iniciávamos as discussões em cunicultura. Inicialmente nosso movimento continha apenas algumas pessoas conhecidas no meio acadêmico. Com a entrada dos produtores, o movimento ganhou força, e já foram discutidos inúmeros itens relacionados à sanidade, manejo, mercado, nutrição, etc. Em 2011, foi realizado, pela ACBC, o I Dia do Cunicultor, que contou com a participação de vários estudantes, profissionais, professores e produtores, obtendo muito sucesso para a divulgação da cunicultura. Esperamos que o IV Seminário Nacional de Ciência e Tecnologia em Cunicultura, a ser realizado na UNESP Botucatu, nos dias 14 e 15 de setembro deste ano, possa também ser um marco, consolidando a retomada do crescimento do ensino, pesquisa e produção em cunicultura.

Dessa forma, apresentamos a primeira edição, que trás alguns relatos de caso, nota técnica, artigos científicos e de revisão bem como um resumo de dissertação recentemente defendida. Acreditamos que a participação coletiva é fundamental para crescimento da cunicultura. Assim, todos devem estar envolvidos e cientes do processo, sejam estudantes, profissionais, produtores, professores, pesquisadores, etc. Estamos num momento único, de grande otimismo, onde nosso esforço e ações são as sementes do tão sonhado crescimento setorial.

Luiz Carlos Machado

Coordenador da Equipe Editorial

Presidente da ACBC

 

2) Relato de Caso

a) Granja animais ornamentais

 

No Estado do Mato Grosso do Sul, está localizado a granja “Animais Ornamentais”, de propriedade do Senhor Sérgio Vitoretti.

O cunicultor realiza exposições em locais onde a grande circulação de crianças, e vende ali filhotes de minis, bem como ração e gaiolas.

Os filhotes são comercializados a R$ 50,00, sendo a média vendida de 15 animais por semana.

Segundo o proprietário “a granja é uma opção por melhor qualidade de vida, não ganhando lucros elevados, mas é muito tranqüila, já que para produzir esses 15 filhotes por semana dispenso apenas algumas horas por dia no cuidado com matrizes.

 

b) Leciff

O LECIFF (Laboratório Experimental em Cunicultura do Instituto Federal Farroupilha) foi criado a partir da iniciativa do prof. Dr. Berilo Brum. Atualmente conta com 28 gaiolas de gestação, 24 de maternidade e 10 de machos no setor de reprodução. Já no setor de recria, conta com 10 gaiolas de creche e 60 gaiolas de engorda. Ainda existem 100 gaiolas de peleteria, usadas para animais de pele e pet.

Segundo o prof. Berilo, a unidade contava com um plantel de fêmeas NZbranca e machos Gigante de Flândres, porém esse plantel foi substituído por fêmeas híbridas, onde serão testadas híbridas NZb x Cf e NZb x Ch. As matrizes que apresentarem melhor adaptação ao sistema serão multiplicadas para a composição do plantel de 2013.

Quanto aos machos, serão avaliados os melhores machos para o acasalamento com essas matrizes. Serão utilizados machos CH, Cf, Prateado de Champagne, Gigante de Flândres e suas cruzas. Ainda segundo o professor, a literatura mostra alguns trabalhos semelhantes a esse, embora cada situação seja única. Outras alternativas devem ser testadas para avaliar não somente produtividade, mas também adaptação. O laboratório conta ainda com alguns animais rex e outras raças pet com a finalidade didática.

No ano de 2012, será iniciado no LECIFF, o trabalho de doutorado da prof. Ione Denardin (Politécnico/UFSM).

 

3) Nota Técnica

 

Preços comumente praticados em Cunicultura

Por: Luiz Carlos Machado - Professor do IFMG - Campus Bambuí

 

A cunicultura é atividade estratégica, pois o coelho apresenta um amplo conjunto de características que fazem dele um excelente modelo para pesquisa, produção de alimentos, fornecimento de pele, animal de estimação, dentre outros. Há a possibilidade de aproveitamento de quase tudo gerado pela atividade produtiva. Deve-se chamar a atenção para o fato de que muitos desses subprodutos são de comercialização muito difícil, conforme a região geográfica.

Um dos temas menos explorados no meio da cunicultura é a questão dos preços praticados. Não se tem notícias de documentos que buscam informar ou sugerir valores médios praticados na exploração deste animal. Dessa forma, esse documento visa apresentar os valores de produtos, co-produtos e subprodutos possíveis a partir da atividade de exploração no Brasil.

A seguir serão descritos alguns preços médios e variações observadas a partir da informação obtida em vários estados. Deve-se chamar atenção para o fato que os preços utilizados podem variar, bem como estarem abaixo ou acima dos valores aqui propostos. Para determinação dos preços médios, pelo menos quatro informações foram utilizadas.

 

1) Venda de animais vivos

Coelho vivo para abate

Os poucos abatedouros existentes preferem animais que pesam entre 2,3 a 3,0 kg, podendo variar. Alguns abatedouros preferem animais acima de 2,5 kg, descontando 10% no valor pago, caso os animais estejam entre 2,2 e 2,5 kg.

O valor médio coletado foi de R$4,90 por kg de coelho vivo. Os valores variaram de R$ 4,50 a R$ 5,50. Deve-se chamar atenção ao fato de que os animais perdem peso durante a viagem. Esta perda de peso é de cerca de 3-5% em viagens de curta distância, 7-8% em viagens de 400km e 12-13% em viagens de 1.200km. Essa perda de peso deve ser considerada pelo cunicultor. Conforme o frigorífico, o mesmo pode cobrar uma taxa de R$ 2,00 do interessado para abate dos animais, podendo essa taxa variar.

Coelhos vivos sem raça definida (SRD) para revenda em casas agropecuárias.

É muito comum o pequeno cunicultor vender animais às casas agropecuárias. Nesta situação, é comum o estabelecimento revender os animais por até o dobro do preço pago. Nessa situação o cunicultor vende um número maior de animais por vez. Não se tem muitas informações sobre os valores praticados por esses pequenos cunicultores, embora seja comum o valor de R$ 5,00, sendo o valor de revenda de R$ 10,00. Em certas casas agropecuárias ou ainda em Pet Shops, os animais de raças anãs podem ser vendidos por cerca de R$ 20,00 e revendidos por cerca de R$ 40,00.

Animais SRD ou Nova Zelândia Branco (NZB) vivos vendidos separadamente

Para venda individual de animais SRD, os preços são muito variados. Os filhotes são vendidos em valores que variam de R$ 8,00 a R$ 20,00. Animais adultos SRD ou NZB são vendidos em valores que variam de R$ 6,00 o kg (R$ 18,00 por animal de 3 kg) até R$ 50,00 por animal.

Animais de raças definidas vendidos separadamente

Nesta categoria os valores variam muito. É comum se verificar o valor de R$ 80,00 para um filhote de raça anã. Para filhotes em geral, os valores variam de R$ 50,00 a R$ 100,00. É comum que reprodutores de raças anãs ou gigantes sejam comercializados por valores mais altos, tais como R$ 200,00 ou até R$ 400,00 para um bom reprodutor gigante.

 

2) Venda de carne e produtos cárneos

Carne de coelho inteiro

Para a carne de coelho, vendida na forma de “coelho inteiro”, os valores observados variam de R$ 8,00 a R$ 24,00, sendo o valor médio observado de R$ 14,40. Esses dados foram obtidos a partir de 13 diferentes locais, dentre instituições de ensino e pesquisa, que oferecem carne a baixo custo, e frigoríficos/cunicultores, que oferecem o produto a um preço mais elevado.

Deve-se entender aqui que as instituições não visam lucro econômico e que grande parte delas oferece esse produto para contribuir para divulgação da carne. Muitos cunicultores não poderiam vender essa carne ao mesmo preço, haja vista que inviabilizaria a produção. De qualquer forma, fica caracterizado que a carne de coelho apresenta alto valor comercial, podendo seu consumo ser ainda considerado como “elitizado”.

Outros produtos cárneos

No Brasil poucos estabelecimentos comercializam a carne de coelho em cortes ou processada. A carne de coelho inteiro desossado é vendida, em determinado local, a R$ 40,00 o kg. Pode ainda ser utilizada para confecção de molho pronto para pizzaria, sendo vendido a R$20,00/kg. Com o fígado do coelho, pode ser feito patê, sendo comercializado a R$ 35,00/kg.

 

3) Venda de peles e pêlo

Peles frescas sem curtimento

As peles frescas podem ser comercializadas para interessados que vão curtir o material. Há cunicultores que fazem o curtimento, além de cunicultores que pagam cerca de R$ 3,00 a 5,00 para que cada pele seja curtida. O preço médio da pele fresca congelada é de R$ 2,25, sendo esse valor obtido a partir de 8 observações. Os valores variam de R$ 1,00 a R$ 3,00 por pele.

Peles curtidas

O preço da pele curtida é muito variável, principalmente em função da qualidade de processamento. O preço utilizado para a comercialização das peles curtidas varia de R$ 5,00 a R$ 30,00. O preço médio é de R$ 15,80.

Algumas empresas importadoras da China e Austrália, têm manifestado grande interesse na compra de peles advindas do Brasil, que ainda apresenta volume muito baixo em comparação com as necessidades de importação para esses países.

Pêlos

Atualmente o mercado da lâ obtida a partir de coelhos angorá não é bom, sendo extremamente restrito. Cada animal proporciona cerca de 140-150g, por tosa, podendo ocorrer três tosas por ano. O quilo da lâ de boa qualidade é comercializado a R$ 100,00.

 

4) Outros Subprodutos

Não basta ao cunicultor ser eficiente para produzir, ele deve procurar comercializar tudo o que for gerado de sua atividade produtiva. Mesmo assim, conforme mencionado, a comercialização dos subprodutos pode ser extremamente difícil. A seguir são descritos alguns subprodutos comercializados em alguns locais do país.

Patas frescas

As patas frescas são comercializadas por R$ 0,20 a R$2,00 a unidade, sendo a mesma vendida limpa e congelada.

Patas vendidas como chaveiros

As patas prontas para serem vendidas como chaveiros podem ser comercializadas em valores de R$ 3,00 a R$ 4,00.

Rabo

O rabo do coelho pode ser comercializado a R$ 2,50 a unidade limpa.

Esterco curtido

O esterco de coelhos é um fertilizante de boa qualidade, apresentando boa relação entre nitrogênio, fósforo e potássio, sendo muito apreciados pelos horticultores. A forma de comercialização é muito variada, sendo vendido por kg, pacotes ou metros cúbicos. O quilo do esterco pode variar de R$ 0,40 a R$ 2,00. O metro cúbico pode ser vendido a R$ 150,00.

Sangue

O sangue do coelho pode ser comercializado em valores que variam de R$ 100,00 a R$ 130,00 o litro, sendo esse mercado muito restrito.

Orelha

As orelhas pré-cozidas e defumadas, usadas como petiscos para cachorros, podem ser comercializadas em pacotes com 10 unidades, em preço de R$ 2,50 a R$ 5,00/pc conforme a época.

Vísceras

As vísceras obtidas a partir do abate dos coelhos podem ser comercializadas por R$ 0,50 por cada animal abatido.

Cérebro

O mercado de venda de cérebros de coelho é extremamente restrito. O preço pago por kg varia de R$ 50,00 a R$ 100,00.

Bexiga cheia (urina)

Uma bexiga cheia, amarrada e resfriada pode ser comercializada por R$ 0,25. Chama-se atenção para o fato da difícil comercialização da urina de coelhos.

Olhos

Os olhos de coelhos podem ser comercializados a R$ 2,00 a unidade.

Tabela 01 - Resumo dos preços comumente praticados em cunicultura


*Para determinação do preço médio, pelos menos quatro observações foram utilizadas. Quando não se obteve esse número, o valor é apenas sugerido.

**Pode variar muito conforme a raça do animal.

 

Colaboraram para esse trabalho

Aloíse Lima – MG, Berilo Brum – RS, Irany Zolin – RS, Jenisvânia Cavalcante – RN, Marcelo Tigre – PE, Marcos Kac – SP, Maurício Moreira – MG, Vilmar Masson – SC, Vitor Costa – RS, Yuri Jaruche - MG


Última atualização em Sex, 13 de Abril de 2012 01:59


4) Artigo Científico I

COMPORTAMENTO E DESEMPENHO DE MINI COELHOS FUZZY LOP LACTENTES

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5) Artigo Científico II

EFEITO DA DENSIDADE DE ALOJAMENTO SOBRE A HOMEOSTASE TÉRMICA EM COELHAS EM CRESCIMENTO MANTIDAS EM DIFERENTES TEMPERATURAS

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6) Artigo de revisão bibliográfica

ATUALIDADES EM NUTRIÇÃO DE COELHOS: 2006 a 2011

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7) Teses, dissertações e monografias

Resumo da dissertação de mestrado apresentada por Thaís Freitas Marques de Barros, defendida no dia 11 de Novembro de 2011, na UNESP – Botucatu.

 

DESEMPENHO E COMPORTAMENTO DE COELHOS EM CRESCIMENTO EM GAIOLAS ENRIQUECIDAS

 

O objetivo foi avaliar o efeito do enriquecimento da gaiola sobre o comportamento e desempenho de coelhos em crescimento, com diferentes formações de grupos sociais. O experimento, conduzido em duas etapas, teve inicio na desmama, com cinco semanas, e finalizou com 11 semanas de idade. Em cada etapa foram utilizados 72 coelhos do grupo genético Botucatu, 36 machos e 36 fêmeas, alojados em 12 gaiolas de arame galvanizado, seis animais por gaiola. Os animais foram distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, com arranjo fatorial de 2 x 3 (com e sem enriquecimento e em três tipos de grupos sociais – fêmeas, machos e misto), totalizando 6 tratamentos com 2 repetições em cada etapa. Dois pedaços de eucalipto (15 x 3 x 3 cm), usados como enriquecimento, foram dependurados com arame no teto da gaiola e posicionados entre 20 e 30 cm do piso. Seis câmeras foram usadas para registrar imagens do comportamento dos animais por 24h contínuas, uma vez por semana, na 7ª, 10ª e 11ª semanas. Quatro pontos de luz negra foram acionados no período noturno. Foram efetuados registros pontuais dos comportamentos: lúdico, exploratório, agressivo, estereotipado, interação com o enriquecimento, interação social e cecotrofia. Para avaliação do bem-estar foram utilizadas as frequências dos comportamentos lúdico e estereotipado, além da interação com o enriquecimento. Aos 77 dias foi registrado o número de lesões cutâneas nas orelhas e em outras partes do corpo, que pudessem ter sido ocasionadas por brigas. Em seguida, os animais foram abatidos e o peso dos órgãos, incluindo o cérebro, da carcaça e de seus cortes foram coletados. Não houve diferença no desempenho entre os tratamentos. O efeito da interação enriquecimento x grupo social revelou que os machos com enriquecimento apresentaram maior peso relativo do cérebro (8,52g ± 0,21 vs. 7,86g + 0,22, P<0,05), do que os sem enriquecimento. Tanto as fêmeas com sete semanas, como os machos com 10 e 11 semanas, apresentaram maior frequência do comportamento lúdico em gaiolas enriquecidas. Grupos mistos, com sete semanas, apresentaram maior frequência de interação social sem enriquecimento. Grupos mistos, independentemente do enriquecimento, apresentaram maior frequência de comportamento exploratório às 10 e 11 semanas. Além disso, observou-se que os animais em gaiolas enriquecidas apresentaram menor número de lesões cutâneas ao abate do que em gaiolas não enriquecidas (11 vs. 33 lesões, P<0,001). O uso do enriquecimento melhorou o bem-estar dos animais com aumento na frequência do comportamento lúdico, além de contribuir para redução do aparecimento de lesões cutâneas causadas por brigas entre os animais mais velhos.

Última atualização em Sex, 13 de Abril de 2012 01:55

 

Última atualização em Qui, 10 de Agosto de 2017 16:18